Impressionantes trabalhos científicos de sexologia

Natasha Romanzoti

A sexologia é uma ciência social que engloba estudos biológicos rigorosos sobre reprodução e resposta sexual, bem como psicologia, sociologia e história. No entanto, não foi até o século XIX que os cientistas começaram a se referir a si mesmos como “sexólogos”.

Daquele momento em diante, uma literatura científica rica e diversificada dedicada ao sexo começou a aparecer. Conheça alguns desses trabalhos que mudaram a história ou que são simplesmente fascinantes:

11. “Psychopathia Sexualis”, de Richard von Krafft-Ebing

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Publicado em 1886, este livro do psiquiatra alemão Krafft-Ebing foi uma tentativa de classificar toda forma “desviante” de sexualidade com as quais ele se deparou em sua prática médica. É escrito como uma série de estudos de caso, com citações amplas de pacientes descrevendo tudo, desde fetichismo a incesto ao que hoje chamaríamos de BDSM (siga para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) e homossexualidade. Este livro ajudou a definir o campo da sexologia, e, ironicamente, tornou possível para os chamados “desviantes” (como homossexuais) encontrar mais aceitação na sociedade nas décadas seguintes.

10. “Memoirs of a Sexologist”, de Ludwig Lenz

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Publicado em meados de 1940, este é um livro de memórias sobre o trabalho de Lenz no início do século XX como sexólogo, tratando de transexuais que queriam mudança de sexo a prostitutas que seguiam soldados nos campos de batalha durante a Primeira Guerra Mundial. Suas descrições da medicina sexual precoce são de arrepiar os cabelos (há uma passagem sobre a implantação de testículos de coelho em homens para “vigor”), mas suas descrições de seus pacientes são compassivas. Ao contrário de Krafft-Ebing, Lenz nunca condenou os “desviantes”, mas tentou ajudá-los a permanecer saudáveis e encontrar o seu caminho em um mundo onde casamento gay e fetiche eram apenas um sonho futurista.

9. “Sexual Behavior in the Human Male”, de Alfred Kinsey

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Kinsey começou sua carreira como um entomologista que estudava e categorizava espécies de vespas, quando decidiu abruptamente virar seus olhos para a sexualidade. Como Krafft-Ebing, ele queria categorizar o comportamento sexual humano – exceto que se comprometeu a estudar e narrar tudo, socialmente aceitável ou não, sem julgamento. O resultado foi este livro da década de 1940, com base em centenas de entrevistas com homens anônimos. O livro foi um grande sucesso, e ajudou a popularizar a ideia de que “um em cada 10 homens” tem experiências homossexuais (embora tais noções estivessem provavelmente comprometidas, uma vez que Kinsey entrevistou um número desproporcional de homens em bares gays de Nova York). Também revelou para o mundo o quão comum era sexo oral, assim como sexo pré-marital.

8. “Human Sexual Response”, de William Masters e Virginia Johnson

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Publicado no final de 1960, este livro explora os aspectos fisiológicos do sexo, e popularizou a ideia do “ciclo de resposta sexual”. Os pesquisadores colocaram inúmeros voluntários em uma máquina que media frequência cardíaca, resposta galvânica da pele e contrações musculares enquanto eles se masturbavam ao orgasmo. Como resultado, Masters e Johnson foram capazes de caracterizar as quatro fases da excitação e do orgasmo, que são excitação, platô, orgasmo e resolução, cada uma das quais com características fisiológicas únicas, de um peito avermelhado no platô a contrações musculares involuntárias cada 0.8 segundo durante o orgasmo.

7. “My Secret Garden”, de Nancy Friday

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Friday publicou este livro no início de 1980 como o resultado de centenas de entrevistas com mulheres sobre suas fantasias sexuais, basicamente inéditas neste livro. Metade erótico, metade sexológico, o livro é uma celebração da imaginação sexual feminina e teria feito Krafft-Ebing corar. Também ajudou a aumentar a consciência geral ao fato de que as fantasias sexuais são normais, e que só porque você fantasia sobre algo, não significa que você queira fazê-lo.

6. “The Mating Mind”, de Geoffrey Miller

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A partir do final do século XX, algumas das obras mais interessantes de sexologia são mais bem compreendidas como psicologia evolutiva. Neste livro, por exemplo, o psicólogo evolucionista Miller explora a ideia de que a seleção sexual entre humanos foi impulsionada pelo desejo dos nossos antepassados por pessoas que eram inteligentes e inovadoras. Em outras palavras, os seres humanos ficaram mais inteligentes por optar acasalar com pessoas inteligentes. Não só é uma tese provocativa e divertida, como basicamente é uma teoria da evolução que postula os nerds como um resultado natural.

5. “The Ethical Slut”, de Dossie Easton e Janet Hardy

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Publicado em 1990, este bestseller escrito pelo terapeuta Easton e pela escritora Hardy ofereceu aos leitores conselhos psicológicos úteis para se ter um relacionamento amoroso e sexual saudável e confiável com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O livro ajudou a popularizar o termo “poliamor” para relacionamentos com parceiros múltiplos, e derrubou décadas de equívocos sobre a não monogamia, mostrando que nem todas estas relações são destrutivas; em vez disso, podem ser tão saudáveis quanto às monogâmicas e, certamente, mais honestas.

4. “The Myth of Monogamy”, de David Barash e Judith Lipton

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Neste livro, o psicólogo Barash e a bióloga Lipton oferecem uma outra perspectiva sobre algumas das questões discutidas em “The Ethical Slut”, explorando quantos animais que os cientistas apelidaram de “monogâmicos” não o são. Eles desenvolvem a ideia de que há uma diferença entre a monogamia social (parceria para uma vida) e a monogamia sexual (exclusividade sexual), e utilizam testes genéticos para revelar que muitos animais são socialmente monogâmicos, mas quase nenhum é sexualmente monogâmico (incluindo os seres humanos).

3. “The Science of Orgasm”, de Barry Komisaruk, Carlos Beyer-Flores e Beverly Whipple

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Como Masters e Johnson, Komisaruk e seus colegas queriam saber mais sobre os processos biológicos subjacentes ao orgasmo. Então, encontraram um grupo único de indivíduos capaz de ter orgasmos dentro de uma máquina de ressonância magnética, e descobriram o que o orgasmo faz para o cérebro. Isso pode ajudar muitas mulheres que têm dificuldade de ter orgasmo, bem como pode resultar em uma versão feminina do Viagra um dia.

2. “Evolution’s Rainbow”, de Joan Roughgarden

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A bióloga evolucionária Roughgarden foi uma das primeiras cientistas a reunir vários estudos sobre a diversidade sexual na natureza, de peixes que mudam de sexo a hermafroditas a animais homossexuais, e explicar por que esse tipo de diversidade pode ter evoluído. Ela sugere que a diversidade sexual é completamente natural, e que a homossexualidade e a transexualidade nos seres humanos está longe da ideia de Krafft-Ebing de “comportamento desviante”. Na verdade, é parte do que faz os humanos e muitas outras espécies bem sucedidas.

1. “Sex at Dawn”, de Christopher Ryan e Cacilda Jetha

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Ryan e Jetha oferecem uma visão alternativa sobre o início da história da cultura humana, descrevendo como relacionamentos com vários parceiros e o matriarcado foram tão cruciais para o desenvolvimento inicial psicológico dos seres humanos quanto o patriarcado e a monogamia. Eles se inspiram no pensamento de muitos sexólogos contemporâneos, de Easton e Hardy a Roughgarden, que é o de estabelecer que o que nós acreditamos ser “relações naturais” são qualquer coisa, menos isso. Desde seus primórdios, a sexualidade humana era muito mais complicada e fluida do que o padrão heterossexual baseado no casamento e no homem como provedor poderia sugerir. [io9]

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