Onde os Catarinenses buscam informação?

Tecnologia | 24/07/2010 | 00h23min – DIÁRIO

Pesquisa inédita revela que maioria dos catarinenses usa internet para diversão

Estudo foi encomendado pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República

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Jacqueline Iensen | jacqueline.iensen@diario.com.br

Internet é diversão. Televisão é informação. Jornal impresso é fidelidade. Assim pode ser definida a postura dos catarinenses em relação aos meios de comunicação, segundo a pesquisa Hábitos de Informação e Formação de Opinião da População Brasileira.

O estudo foi feito pela Meta Instituto de Pesquisa de Opinião, a pedido da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. No Brasil, a análise foi consolidada a partir de 12 mil entrevistas entre os meses de fevereiro e março.

Na rede, 60% dos entrevistados, que ficam em média de duas a quatro horas em frente ao computador, citam os games online e as redes sociais como o grande atrativo da internet. O MSN é líder na preferência, com 67,7%, índice superior à média nacional que ficou em 64,7%. Em seguida, a ferramenta mais usada, apesar das novidades que surgem a cada dia, é o Orkut com 58,7%.

Na hora de pesquisar sobre temas específicos, o Google, empresa de US$ 4 bilhões e agressiva quando se trata de inovações, dispara com 77,5% em Santa Catarina, quase o mesmo percentual nacional que é de 71,6%. Não poderia ser diferente: em segundos, o Google pode vasculhar um universo de 19,2 bilhões de itens (textos, áudio, fotos e vídeos).

O Youtube, ainda considerado um nicho mais de entretenimento do que de informação para os catarinenses, é consultado por 43,4% dos pesquisados, resultado acima da média nacional, 37,1%.

Apesar de revelar o avanço na utilização da internet, a pesquisa chama atenção para uma realidade: 51,2% dos catarinenses dizem que não usam a web, mesmo com a queda de preços nos equipamentos, facilidades de compra e ampliação da banda larga.

No Brasil, o percentual é um pouco maior: 53,9%. Nível de escolaridade e a renda mensal são determinantes para o interesse ou a necessidade de consultar a rede.

A consulta à internet para ler o noticiário ainda tem muito a crescer. Apenas 10% dos entrevistados catarinenses afirmam recorrer à rede em busca de notícias. A preferência também não está nos blogs: 70% dos catarinenses dizem que não leem blogs.

— O público da internet tem alto grau de instrução, renda alta e são jovens — diz Flávio Silveira, diretor-presidente da Meta e responsável técnico pela pesquisa.

Credibilidade

Com a horizontalização da comunicação, que deu voz e vez ao cidadão e ampliou a possibilidade da troca de informação,a mídia tradicional vê sua credibilidade desafiada. Nas entrevistas em Santa Catarina, 51,8% consideraram o noticiário tendencioso e 78% disseram acreditar pouco nas informações veiculadas, quase a mesma opinião da média nacional: 72,1%.

Do universo pesquisado, a televisão é tida como o veículo mais confiável (56,9%), acompanhando a média nacional que é de 69,4%. Os telejornais da Rede Globo disparam na preferência dos catarinenses com 56%. A média nacional fica em 69,8%, seguida pela Record com 13% e SBT com 4,7%.

Em Santa Catarina, a credibilidade da internet foge ao padrão e atinge 15 pontos percentuais. No Brasil, as informações via rede recebem crédito de apenas 7%. O jornal impresso aparece em terceiro lugar. O grande patrimônio do impresso em Santa Catarina é a fidelidade do público, representada por um índice de leitura de 51,4%, maior do que o percentual nacional que é de 48,1%.

Tradição x inovação

Elas precisam ligar o sinal amarelo. Somente 1,1% dos catarinenses consultados respondeu que confia nas informações das revistas semanais. A líder é a Veja (37,7%), seguida pela Caras (21,6%) e IstoÉ (19,9%).

O percentual que soa como ameaça para a tradicional revista sugere oportunidade a um novíssimo meio. Em Santa Catarina, 87% dos entrevistados não utilizam o serviço de informação pelo celular. No Brasil este número chega a 90%. Como a chamada informação mobile ainda está engatinhando, o território a conquistar é imenso.

A resposta dos entrevistados sobre a leitura de livros revela que, apesar do avanço do e-book, o livro de papel continua na preferência dos consumidores: 50,8% afirmam ter lido, em média, dois a cinco livros nos últimos seis meses. No estudo, o rádio aparece como entretenimento. A FM (53%) passou a rádio AM. Os ouvintes preferem música a esportes.

Na autoavaliação, a maioria do público pesquisado em Santa Catarina (69,2%) se considera muito ou bem informado e diz que as informações dos veículos de comunicação quase sempre são úteis para o seu dia a dia.

— De forma geral, Santa Catarina acompanha os números da região Sul que junto com a região Sudeste tem os melhores resultados da pesquisa. Fatores como renda e instrução permitem que os catarinenses tenham acesso a computadores e criam uma certa cultura que induz a este tipo de uso mais frequente. Mas é importante destacar que a cultura digital é um processo e, como tal, tende a sofrer modificações nos próximos anos. Embora a classe C esteja chegando à internet, ainda há muitas limitações — analisa Flávio Silveira.

A pesquisa que mapeou os hábitos de consumo de mídia dos brasileiros é inédita, pelo menos nos aspectos analisados, e com universo abrangente.

— Normalmente a média de entrevistado é de duas mil pessoas. Nós entrevistamos 12 mil, o que permite uma boa representatividade — comenta o sociólogo.

Em dois meses, foram 12 mil entrevistados em 924 pontos do país. Em Santa Catarina, 564 pessoas, com mais de 16 anos, responderam à pesquisa quantitativa. O número de entrevistas por estado é decidido por meio de complexos cálculos que consideram a população e a distribuição por região do país.