Passado é a porta fechada que te escolheu até aqui

Era eu passando por esse corredor de portas mortas

Me chamando para entrar

Era o preço entre mim e a solidão

Esses eus dentro de mim, eruditos, ignóbeis

http://diariodeumjovem.files.wordpress.com/2010/02/corredor-escuro.jpgMe engolindo, me levando para um fossa de mendigos pedintes

implorando salvação..

Eras as putas negras da rua me chamando para seus ventres venenosos

Nem era eu, minha saliva, meus dentes trincando….

Minha respiração ofegante

Não suportando o peito a dor da saída…

Era tão objetivos, o vento solto passando por entre meus dedos nesse corredor frio

De imensidão.. que me ajoelhei…

Entortei minha nuca, como nunca antes feito…

Eram rastros de ilusões que ficaram no passado, das promessas solúveis

Que se evaporaram como mais um doce café, preto, sujo, rastejante.

Quem sabe, todos os pecados que cometi.

Se nem era eu, no corredor dos mortos a pedir salvação

Não queria mais o perdão, nem mais um irmão, amigo, solteiro ao meu lado

Não queria mais que minhas dívidas fossem envoltas nesse pano de mentiras

Eu sei o que fiz, eu sei. Não queria um plano de fuga, não queria salvação!

O eco que minha mente faz, nessas dores de cabeça horríveis, eu sei.

Era a lua cheia de luz a mostrar letra por letra, lei por lei.

Se um dia me virem carregando velas, coxo, cabeludo

Descendo todas as vielas noturnas de sua cidade

Dentro de todos os ventres sujos daquelas cortesãs,

Rastejando na boca de cada mendigo pedinte em portas amaldiçoadas

Vão se lembrar de mim.

Lembrem bem, pois perecerei disfarçado, rastejante..

Por que é na máscara do engano que encontrei forças para sobreviver

A mim mesmo

E não lembrar no espelho o quanto chorei, o quanto já morri.

Pois é no disfarce do desejo que não minto mais para você,

Nem minto mais para mim, por que já me esqueci.

É nesse capuz escuro que escondo feridas mansas

Das andanças que o mundo me viu girar, me fez sentar, que eu fiz pirar, que eu fiz sentir.

Parem! Que medo que eu senti?

Nunca mais parei para pensar no dia daquele desejo,

o momento do pecado, da culpa, e do gozo ligeiro..

momento que sem nexo do teu sexo,  não freei, não recusei, não resisti.

Estava esperando o momento moço, o coxo, o poço, a saída de qualquer escuridão.

Encontrei um labirinto de fauno dentro de mim mesmo

Que perdi a vontade de rastejar.

Simplesmente perdi a vontade, fiquei parado, mal amado, mais comprido…

E que o vento me esfregue, o leme me leve, o passado me puna para algum lugar..

CCSS 2010

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