Final de relacionamento? É possível sobreviver ao luto?

Entrevista minha (Cristian Stassun) concedida ao Jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto. fimrelacionamentoG – Como superar a dor do rompimento de uma relação séria? Parafraseando a pergunta. Como superar a dor da morte de uma pessoa próxima? A diferença seria que a pessoa que faleceu você não vê mais, não está na sua rotina, e depois de uma fase do luto você pode superar ou “esquecer”. Lembra bons momentos às vezes. Nesse sentido o problema é que o ex-relacionamento está vivo, um fantasma visível. Analise, depende de que “dor” que se trata, como foi esse fim de relacionamento e de cada individualidade. Para cada caso existe um conjunto de fatos, peças, disputas e relações de poder frente a um enredo muito relativo. Tem pessoas que tem a emoção treinada, teve experiências anteriores, ou que teve uma “ligação”mais ou menos forte, mais dependente ou não de outra pessoa. O que geralmente ocorre é que quem termina, de um dos dois, sofre menos. Pois a decisão é tomada por razões e às vezes essas razões seguram o preço da saudade e do hábito. Como Aristóteles, dizia, ”somos o que fazemos repetidas vezes.” Junte vários processos, de que você é o seu hábito, o seu costume, seu padrão de comportamento, de escolhas repetidas diariamente. Há um rompimento de um pedaço de você com o outro, rompimento de uma ligação de co-dependência, de uma pessoa que era suporte para você diariamente realizar coisa, a base que segurava um peso dos seus problemas e parte das alegrias. Tem um fator interessante é que no casal, geralmente existe um jogo de poder, de posse, de ciúmes, e cônjuges durante esse jogo oscilam a qualidade do que sentem pelo outro, uma hora gostam mais, ou menos, sentem mais paixão que o outro, e nesses fins aquele que sente menos ao terminar, tem a assimetria do outro que sente mais. O que ocorre, que quem termina sofre menos, a pessoa que leva o famoso “pé na bunda” sofre mais. Resumindo, depende dos motivos da separação, do sentimento de posse que sentia pelo outro, das dependências, do “temperatura”do sentimento e da esperança que sente de que o outro vai voltar. Não é recomendação para todos. Mas isolar todos os contatos com o ex-relacionamento, ajuda muito. É um luto forçado. Mata o outro dentro de si. – Quando é necessário pedir ajuda para conseguir lidar com a dor da perda? Ajuda pode pedir a qualquer momento. O erro geralmente está em não ter procurado ela antes, não ter visualizado uma relação destrutiva, com problemas, com brigas constantes, com disfuncionalidades antes. Recomendo sempre a procura de um Profissional Psicólogo em todo processo, pois é necessário ajuda para restabelecer uma vida normal, e voltar à produtividade e vivacidade dela, o processo de adaptação de uma nova relação cotidiana de você consigo mesmo. É fácil identificar sintomas desse fim que podem te alertar para procurar ajuda profissional. A perda de sentido ou um projeto da vida/futuro que foi feito mais pelo outro cônjuge ou que só existia e fazia sentido para sua vida individual com o projeto em conjunto. Outros sintomas de risco é quando se tem desejos de auto-agressão, suicídio e violência contra si. – Cada pessoa lida com a crise de uma forma. Afundar-se em trabalho ou encher-se de atividades ao longo do dia é uma forma sadia de lidar com o luto? Distrai sim e ajuda. O problema esta realmente no projeto. Escolhas eram conjunto, hábitos em conjunto e se a expectativa de poder voltar existe, pode se fazer qualquer coisa que a pessoa vai lembrar da pessoa amada. Única mudança é que o trabalho e distração pós-final de relacionamento, por um bom tempo, vai ser mal feito. Pois a distração em relembrar é muito atraente. – Qual a importância de viver a dor de uma forma ?saudável?, ou seja, sem simplesmente ignorá-la? Trazendo essa sombra da outra pessoa para próximo de si, não ignorando, aceitando e buscando ressignificá-la. Importante saber. “Um aprendizado se desfaz com outro aprendizado”. Imagine que você construiu seu relacionamento com o outro, com o tempo, com as escolhas, com as vivências com o outro. Visualize essa casa/construção que construiu junto dele. Agora você sai da casa que lhe dava segurança e abrigo e descobre você precisa demolir essa casa que fez com o outro, essa história, esse aprendizado de construído, esse amor construído. Mesmo querendo voltar para a casa construída, você pensa mais no outro, do que em si mesmo, pensa mais no passado que no futuro, ou na expectativa que no futuro essa casa poderia ser mais maravilhosa. Resumindo: Você só desfaz um aprendizado, um construção, com outro aprendizado. O desafio é fazer voltar a amar a si mesmo e construir uma outra casa. Com você mesmo ou com outra pessoa. Atente-se aos desafios, será difícil demolir uma casa muito bem construída, por que a pessoa deve estar atenta em ver que tipo de idealização faz da outra pessoa, pois uma casa de lona no final de relacionamento, no afastamento, na saudade pode se transformar numa mansão. Lutar contra o medo de ter uma carreira solo, de se olhar no espelho e na frente dos outros, sozinho, e principalmente eliminar a insegurança que nunca mais encontrar alguém tão especial quanto o ex, são os grandes dificultadores. – Respeitar o luto pelo rompimento tem reflexos no sucesso de uma futura relação? O luto vai existir. O tempo de rompimento da ligação pode variar de pessoa para pessoa. Eu chamo da fase de “prisão sem grades”, pois você está aprisionado e refém pelo que sente do outro, pelo hábito que até seu corpo sente pelo outro. Mas não há grades, não há remédios possíveis e não há nada que impede que sinta isso… uma sensação que não se resolve racionalmente. Pois se sente e é no nível da emoção. O que atentemos aqui, que não é o luto em si que ajuda na relação futura, pois é claro que vai haver saudade, falta, e comparações com o novo companheiro. O maior problema é o medo de que os problemas se repitam, as ansiedades, inseguranças. Eu uso um sentido da palavra “doença” diferente. Pois misturamos os medos do que aconteceu, medo que os problemas da relação e defeitos do outros surjam na relação, ou o padrão de uma relação doentia que tinha com o outro transportar para próxima relação. Casos de traição levam uma carga doentia de desconfiança que o outro parceiro venha traí-la. Novamente, cada caso tem suas especificidades, mas existem certas histórias que se repetem, e por esse motivo, podemos aprender com os outros para pelo menos estar atentos aos possíveis problemas. – Um novo amor é uma boa receita para esquecer? Já respondemos. Porém, acrescentamos. O gosto e o sucesso da receita depende da fome (desejo), do tempero (funcionalidade com outro parceiro, características, projeto de vida, estilo de vida, etc…), do tempo (de quando permitir abrir sua vida para as outras pessoas), e principalmente das escolhas que a pessoa toma. E a expressão, novo amor, subentende que já é amor automaticamente, e não algo construído. Arriscamos dizer, uma “nova tentativa”de sentir amor. – O que a dor ?mal-curada? pode desencadear? Nada se cura, tudo se transforma. “Cura”, “se sentir curado” é uma significação da realidade. Não é algo que tem fim, pois sua doença emocional em si também é uma significação da realidade. O que acontece é voltar a viver uma vida produtiva, saudável, feliz e amorosa. Essa demora para voltar a dar sentido para sua vida pode passar por sintomas de depressão, afastamento social, rejeição de novos parceiros, e outros. – Existem rompimentos insuperáveis? Podemos dizer difíceis, não insuperáveis. Pois a pessoa pode escolher para de sofrer e procurar de ajuda. Pode escolher parar de fumar, assumir sua vida e pedir ajuda. Depende de cada pessoa assumir a responsabilidade de que ela está escolhendo ter aqueles pensamentos, escolhendo esperar, escolhendo ficar em casa escondido. Nunca se supera nada totalmente, podemos aprender a lidar com nosso aparelho incrível (cérebro) que é um mecanismo de lembrança. Ressignificar. Hoje já existem alternativas para filosofia de Pascal que dizia que “O coração tem razões, motivos que a própria razão desconhece”. Uma dessas alternativas ao acesso da Psicologia é uma prática de atendimento online que desenvolvemos no site http://www.cristianstassun.com.br. Recomendo três bons filmes. Antes do término. Filme: “A prova de fogo”. No momento do término. Filme: “A profecia celestina”. E para depois do fim. Filme: “Poder além da vida”.

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