Determinação das histórias de amor

Fragmento do artigo publicado na revista: Interação em Psicologia, 2005, 9(2), p. 295-309 295

Determinação das histórias de amor mais adequadas para descrever relacionamentos amorosos e identificação das histórias de amor que produzem mais identificação, menos identificação e que as pessoas mais gostariam de viver

Ailton Amélio da Silva;Andréa Soutto Mayor;Thiago de Almeida;Adriana Guimarães Rodrigues;Luiz Maurício de Oliveira;Mônica Martinez

Universidade de São Paulo (USP)

RESUMO

Esta pesquisa teve dois objetivos: 1) verificar se as histórias de amor descritas por Sternberg (1996) são úteis para a realização de quatro tarefas: (a) descrever os relacionamentos amorosos atuais/últimos dos participantes da pesquisa (b) identificar as histórias de amor que estes mais se identificavam, (c) identificar as histórias de amor que estes menos se identificam e (d) identificar as histórias que estes mais desejariam viver e (2) verificar se há relação entre as respostas apresentadas nestas quatro tarefas. Trinta e oito homens e trinta e oito mulheres, estudantes universitários, responderam a quatro questões, uma para cada das quatro tarefas acima. Todas as 24 histórias foram utilizadas para responder a pelo menos uma destas quatro tarefas, por pelo menos um dos participantes. Onze das 24 histórias foram mais utilizadas nas tarefas (a), (b) e (d), acima. Dezessete histórias de amor foram utilizadas na tarefa (c) acima. As quantidades de usos das histórias nestas quatro tarefas apresentaram correlações estatisticamente significantes. As respostas de homens e mulheres a estas quatro tarefas foram semelhantes (as correlações de Pearson variaram entre -0,43 e 0,92). Estes resultados confirmam a utilidade das histórias para descrever e avaliar estes diferentes aspectos de um relacionamento amoroso.

Palavras-chave: amor; histórias de amor; relacionamentos; escolha de parceiros.

Interação em Psicologia, Curitiba, jul./dez. 2005, (9)2, p. 295-309

INTRODUÇÃO

O amor é um sistema complexo e dinâmico que envolve cognições, emoções e comportamentos (Shaver; Hazan & Bradshaw, 1988). O amor é um dos principais requisitos para o casamento nos países ocidentais. Uma pesquisa realizada por Levine e colaboradores (1988 ) em onze países (inclusive no Brasil) apresentou evidências sobre a importância do amor como requisito para a escolha de um cônjuge. Estes autores pediram para pessoas destes países que respondessem à seguinte questão: “Se um homem/mulher tivesse todas as qualidades que você deseja, você se casaria com ele(a) mesmo se não o(a) amasse?” Haviam três opções de resposta: sim, não e indeciso. Homens e mulheres responderam a esta questão de uma forma semelhante. De acordo com os resultados desta pesquisa, os países participantes podiam ser classificados em dois grupos: aqueles onde o sim foi a  resposta mais freqüente (Índia e Paquistão), e aqueles onde o não foi a resposta mais freqüente (todos os outros países pesquisados). Em nenhum dos países a resposta “indeciso” foi a mais freqüente. Os EUA e o Brasil foram os países que mais rejeitaram o casamento sem amor. No Brasil apenas 4,3 % das pessoas disseram que se casariam sem amor, 10% ficaram indecisas e 85,7% disseram que não se casariam sem amor. Os países coletivistas e/ou mais atrasados economicamente são aqueles onde as percentagens de indecisos foram muito grandes. Uma grande percentagem de indecisão parece indicar que estes países estão em uma fase de transição quanto ao papel que este sentimento deve desempenhar na escolha do cônjuge: o casamento arranjado está sendo substituído pelo casamento onde os parceiros é que se escolhem e, neste caso, o amor é um dos principais critérios de escolha….

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