Freud está morto?

Não, não é bem assim. Um grupo de neurocientistas desenvolve, no Rio Grande do Norte, uma pesquisa que mostra que algumas intuições do pai da psicanálise estavam corretas. Um dos pesquisadores do Instituto criado por Miguel Nicolelis “enfileirou vários artigos de neurocientistas que, na sua interpretação, vêm confirmando na virada do século XXI intuições e especulações que Freud ofereceu no início do século XX. Um dos pontos altos foi a apresentação de seu próprio trabalho, de setembro de 1999, publicado em conjunto com Claudio Mello e outros dois autores no periódico científico Learning & Memory, sob o título “Expressão de genes no cérebro durante sono REM depende de experiência prévia em vigília”.

Cito um trecho da matéria assinada por Marcelo Leite na revista Piaui:

Se Freud disse que o comportamento humano é motivado por impulsos de vida e morte, Ribeiro o atualiza dizendo que “o comportamento humano é motivado por valores emocionais negativos e positivos codificados pela amígdala” (estrutura cerebral envolvida no processamento de emoções). Se os sonhos contêm restos do dia, como está escrito em A Interpretação dos Sonhos, o neurocientista traduz para “sonhos reverberam memórias no nível eletrofisiológico e molecular”. Sonhos satisfazem desejos, sim, porque “concatenam fragmentos de memórias de forma a simular expectativas futuras de recompensa e punição mediadas por dopamina”. Para cada afirmação do mestre da psicanálise, o neurocientista encontra, ou inventa, uma versão remasterizada para o gosto da neurociência contemporânea. Seguiram-se vários minutos de aplausos e meia hora de perguntas. A maioria das questões partiu de psicanalistas – por alguma razão, só mulheres da especialidade se animaram a levantar o braço – declaradamente incomodadas com a invasão de seu campo pela neurociência. O incômodo não impediu, porém, a psicanalista e estudante que falava em nome dos colegas da universidade de agradecer a Ribeiro, “uma graça”, o que arrancou risos de muitos dos presentes. “E não estou seduzindo-o”, tentou consertar a moça, sem sucesso. (Continua).

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