Casados atraem mais que os solteiros?

Pesquisa analisa a impressão de que pessoas comprometidas chamam mais pretendentes do que quando estão solteiras

Você está numa festa ótima, mas parece que nenhum dos garçons o enxerga. De repente, um passa com uma bandeja de bolinhos insossos, que a fome não lhe permite dispensar. Pronto. Basta isso acontecer para que, logo em seguida, surjam a seu lado os canapés de caviar. Pois é. Muitos vêem um paralelo nítido entre essa historinha e a própria vida amorosa. Quando está só, não é notado. Basta arrumar um par para despertar o interesse nos outros. É o chamado mito da aliança, que prega um maior poder de atração por quem já esteja acompanhado.

O psicólogo Thiago de Almeida, especialista em relacionamentos amorosos da Universidade de São Paulo, submeteu 240 pessoas a um teste para avaliar o grau de interesse em pessoas comprometidas. Fotos de belos modelos, sozinhos e acompanhados, foram apresentadas para que os entrevistados avaliassem numa escala de zero a sete o nível de atração, simpatia e confiança que inspiravam. Nos resultados, o nível de interesse pelos modelos acompanhados, ou que ostentavam alianças muito evidentes, apareceu bem abaixo dos que estavam aparentemente descompromissados.

Thiago defende que a aliança não é um ímã, mas também não é suficiente para repelir a atenção alheia.

– A pesquisa, no entanto, serviu para mostrar que é uma balela querer se aproveitar dessa situação.

Longe da unanimidade

As conclusões da pesquisa do psicólogo Thiago de Almeida estão longe de ser unanimidade. O estudante Rafael Marques, 21 anos, garante que não há mito nenhum na situação: é pura verdade. Sempre que está namorando, percebe um interesse maior por parte de meninas que, durante os períodos de solteirice, o ignoram. Segundo ele, a abordagem muda. As meninas se tornam mais curiosas, exaltam qualidades.

– Vários amigos e amigas comentam que também é assim com eles – diz.

O psicólogo analítico-comportamental Carlos Augusto de Medeiros concorda, em parte, com o estudante. Segundo o especialista, esse tipo de atração está ligada a fatores diversos. O primeiro seria o observado por Rafael, que pode ser chamado de status adquirido com o relacionamento. É como se o fato de estar acompanhado já validasse o bom perfil da pessoa desejada. Nesse caso, segundo o especialista, a preferência estaria ligada a uma falta de determinação para escolhas.

– Sentindo-se incapaz para escolher, a pessoa acaba adotando o padrão alheio como referencial – diz.

O autoboicote seria um outro motivo para despertar o interesse por pessoas acompanhadas: ao investir em uma pessoa compromissada, inconscientemente levamos o relacionamento ao fracasso. Esse tipo de atração seria um ponto de fuga para pessoas que não conseguem desenvolver um relacionamento. Há um terceiro grupo, disposto a entrar em confusão. São aqueles que vêem num casal um desafio a superar. É a atração motivada pela competitividade.

Mas o que, afinal, desperta o interesse das pessoas na hora de procurar um parceiro? O psicólogo americano Steven Carter sustenta, no livro Homens Gostam de Mulheres que Gostam de Si Mesmas, que os homens estão interessados em mulheres com auto-estima elevada, com ou sem aliança no dedo. Confira resenha do livro e entrevista com o autor na Biblioteca do Vida Feminina.

* Colaborou Laura Coutinho

JOÃO RAFAEL TORRES *  –  Correio Braziliense/DC

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