Teorias Apocalípticas Geram Muito Dinheiro a Medida em que se Alimentam Medos Coletivos

Calendrio-Maia

Por Mente e Cérebro | Em Terça, 04 Dezembro 2012 14:12

Teorias apocalípticas geram especulação – e muito dinheiro. Lançada no cinema em 2009, a superprodução 2012, do diretor Roland Emmerich, rendeu mais de US$ 800 milhões, cerca de quatro vezes o seu custo. Usando o calendário maia como mote, o filme foi cuidadosamente pensado para gerar lucro durante os três anos que antecedem a grande catástrofe, com várias versões para a TV e merchandising. Se tivesse sido terminado este ano, talvez não fosse tão atraente – pelo menos para seus produtores.

O cinema-catástrofe, gênero no qual se encaixam, além de 2012, Armagedon (1998) e Um dia depois de amanhã (2004) e tantos outros filmes cujo argumento é a iminência de um grande desastre natural, aposta em estratégias semelhantes à da propaganda partidária: o sucesso é obtido na medida em que se alimentam ansiedade e medos coletivos. Experimente pesquisar os termos “2012 fim do mundo” no Google, principal site de buscas da rede. O resultado supera 9 milhões de referências. Segundo o Google, até 2008 a procura por “2012 Mayans” (maias, em inglês) era relativamente estável. Em novembro de 2009, ano em que 2012 chegou às telas, ela era seis vezes maior em relação ao mesmo mês do ano anterior. E daí em diante só aumentou.

A profecia maia aqueceu outro setor, bem menos conhecido que a indústria de entretenimento: o de construção de bunkers, isto é, abrigos subterrâneos particulares. “Projetamos espaços para que uma família de quatro pessoas sobreviva por até um ano com o máximo de conforto possível. O local é equipado com suprimentos médicos, produtos de higiene, roupas, máquina de lavar e comida enlatada que garante uma dieta rica em todos os nutrientes”, explica o americano Robert Vicino, proprietário da construtora Vivos, que oferece tanto abrigos coletivos para até mil pessoas como esconderijos luxuosos para famílias pequenas nos estados de Nebraska, Indiana e nas Montanhas Rochosas, por preços que variam de US$ 35 mil a US$ 85 mil por pessoa. Vicino não hesita em usar a profecia como marketing. O site da empresa (www.terravivos.com), cujo layout remete engenhosamente a um calendário circular, contém um link para um breve documentário sobre o tema.

Quem não pode financiar um abrigo particular pode aliviar a frustração “brincando” de destruir o planeta. No jogo on-line Choose Your 2012, o usuário pode escolher qual lugar do mundo reduzir a pó e como: meteoros que chovem do céu, invasões alienígenas, erupções vulcânicas e cataclismo estão entre as opções. “Nesse jogo, você será Deus e poderá decidir com qual tipo de catástrofe castigará a Terra, bem como os países que serão dizimados. Quanto mais cidades destruir, mais pontos vai acumular, o que desencadeará desastres cada vez maiores, como meteoros, ciclones, trombas d’água”, explica o tutorial do jogo.

Fonte: Mente e Cérebro

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