Aulas que valem a pena…

29/10/2010 – 03h06

Para manter atenção do aluno, educador busca deixá-los “invocados”

LUCIANO GRÜDTNER BURATTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O engenheiro Sérgio Américo Boggio passa os finais de semana em um laboratório de ciências que montou em seu sítio, no interior de São Paulo. Lá, desenvolve kits de física e química e técnicas de ensino destinadas a capturar o mais volátil dos elementos: a atenção do aluno.

Ex-professor de física da Universidade São Judas e diretor de tecnologia do colégio Bandeirantes desde 1982, Boggio começou a notar uma mudança no perfil dos ingressantes a partir dos anos 90.

Segundo ele, esse novo aluno é multitarefa, muito visual e pouco tolerante a frustrações. Para reter sua atenção, Boggio acredita que é preciso desafiar constantemente seu senso comum com exemplos do dia a dia.

“Por exemplo, pergunto aos alunos: ‘Qual é o melhor tipo de para-choque: aqueles antigos, fortes ou essas porcarias moles de hoje que se bater quebram e caem?’. Eles costumam escolher a primeira opção”, afirma.

“Aí explico que é preciso entortar o para-choque, que absorve o impacto, e não o motorista. Por isso, o para-choque mole é melhor. Os alunos ficam invocados e acabam prestando mais atenção.”

Exige-se hoje nas escolas o domínio de um currículo extenso. Como então manter a atenção do aluno com tanto conteúdo sendo apresentado. “No paradigma atual, joga-se tudo para o aluno para ver se ele aproveita alguma coisa. Mas acho que seria melhor dar bem dado pouco conteúdo que dar mal dado muito conteúdo”, opina Boggio.

“O resto do material pode ser colocado no site do curso. Na sala, tiram-se as grandes dúvidas. Com isso, dá-se mais tempo para que até o aluno mais lento consiga aprender e acompanhar o curso, sem cansá-lo tanto.”

Boggio também defende o poder motivador de blogs para redações, as singularidades do aluno atual e o contato com montagens, que exigem perseverança, para a formação de um bom profissional.

Ouça trecho da entrevista concedido pelo professor à Folha.

Sérgio Boggio