Era eu passando por esse corredor de portas mortas
Me chamando para entrar
Era o preço entre mim e a solidão
Esses eus dentro de mim, eruditos, ignóbeis
Me engolindo, me levando para um fossa de mendigos pedintes
implorando salvação..
Eras as putas negras da rua me chamando para seus ventres venenosos
Nem era eu, minha saliva, meus dentes trincando….
Minha respiração ofegante
Não suportando o peito a dor da saída…
Era tão objetivos, o vento solto passando por entre meus dedos nesse corredor frio
De imensidão.. que me ajoelhei…
Entortei minha nuca, como nunca antes feito…
Eram rastros de ilusões que ficaram no passado, das promessas solúveis
Que se evaporaram como mais um doce café, preto, sujo, rastejante.
Quem sabe, todos os pecados que cometi.
Se nem era eu, no corredor dos mortos a pedir salvação
Não queria mais o perdão, nem mais um irmão, amigo, solteiro ao meu lado
Não queria mais que minhas dívidas fossem envoltas nesse pano de mentiras
Eu sei o que fiz, eu sei. Não queria um plano de fuga, não queria salvação!
O eco que minha mente faz, nessas dores de cabeça horríveis, eu sei.
Era a lua cheia de luz a mostrar letra por letra, lei por lei.
Se um dia me virem carregando velas, coxo, cabeludo
Descendo todas as vielas noturnas de sua cidade
Dentro de todos os ventres sujos daquelas cortesãs,
Rastejando na boca de cada mendigo pedinte em portas amaldiçoadas
Vão se lembrar de mim.
Lembrem bem, pois perecerei disfarçado, rastejante..
Por que é na máscara do engano que encontrei forças para sobreviver
A mim mesmo
E não lembrar no espelho o quanto chorei, o quanto já morri.
Pois é no disfarce do desejo que não minto mais para você,
Nem minto mais para mim, por que já me esqueci.
É nesse capuz escuro que escondo feridas mansas
Das andanças que o mundo me viu girar, me fez sentar, que eu fiz pirar, que eu fiz sentir.
Parem! Que medo que eu senti?
Nunca mais parei para pensar no dia daquele desejo,
o momento do pecado, da culpa, e do gozo ligeiro..
momento que sem nexo do teu sexo, não freei, não recusei, não resisti.
Estava esperando o momento moço, o coxo, o poço, a saída de qualquer escuridão.
Encontrei um labirinto de fauno dentro de mim mesmo
Que perdi a vontade de rastejar.
Simplesmente perdi a vontade, fiquei parado, mal amado, mais comprido…
E que o vento me esfregue, o leme me leve, o passado me puna para algum lugar..
CCSS 2010
