Os meus 25 anos…

Mochilão na Europa 2009 | 01 de 2 – Cristian Stassun Foi um dia de maio, quando saí dos 24 e cheguei para minha mãe perguntando… É agora? É isso que é ser adulto? Ter 25 anos, terno pra sair, ter grana para pagar conta de celular, ter profissão para botar no cartão de visitas, namorada para desfilar no shopping, trabalho para não ter mais fama de estudante vadio e o prefeito da cidade saber seu nome? Saí por aí perguntando para os amigos perdidos, para os mais velhos de corpo, para as pessoas no calçadão. Eu queria saber, se 25 anos é  esse 1/3 da vida segundo a média brasileira… ou ¼ da vida, na melhor das esperanças que a ciência nos ajude, ou a idade que nos sentimos seguros, merecedores de respeito, senhores dessa sensação rasa de estar homem feito. Por que eu não sentia nadaaaa? Meu corpo não me dizia nada? E ainda por cima, tinha que ficar me perguntando se essa sensação solteira vem quando eu tiver filhos gordinhos? Família comercial de Doriana? Apartamento 2 quartos e uma suíte? Carro de 42 mil reais? Essa bem mal bolada crise existencial me fez comprar duas passagens, ida e volta de avião e um passe de trem para o velho mundo. Dizem que viajar acompanhado, você conhece os lugares e dá risadas. Viajar sozinho você conhece todas as outras pessoas e solta algumas lágrimas. Viajar acompanhado conhece melhor os defeitos dos outros, e sozinho, quem sabe ache alguma de suas qualidades. Afinal, é você por você. Está sozinho. Sartre dizia que “Se você sente solidão quando a sós, está em má companhia.” (risos) Bem, para quem já se perguntava “Quem são esses outros que se habitam em mim?”, eu estava cheio de companhias… É, eu digo que senti as coisas que todos sonham. Aquela história de um belo dia entrar numa rua que nunca entrou e apenas seguir. Apenas ir. Sentir-se livre, solto. Longe. Sem pensar em trabalho, no amanhã, nas responsabilidades. Porém, eu estava num fim de mundo no interior da Grécia. Num língua que não entendia nada do que diziam, nem o que estava escrito (“tá falando grego?” Karistô). Eu me meti numa trilha de uns mosteiros nas montanhas de Meteora. Nome lindo. Mas longe e sem segurança de chegar. Até encontrei uns chilenos, que num portunhol me disseram: “Si no te importa, siga caminando”. É segui caminhando, 44 graus, 30 quilos nas costas, sem comida, no meio de uma trilha deserta, noite chegando, atrás de 2 mil anos de história esquecidos na poeira de Kalambaka. Sobrevivi com uma carona de um casal sul-africano que aceitaram minhas piadinhas da Copa do Mundo no país deles… (risos) Foi nessa parte que tudo começou… Depois desse dia eu fui um pouco mais louco, loiro e brasileiro para todos os outros 12 países. Acompanhem os próximos passos. E a segunda parte… Mochilão na Europa 2009 | 02 de 2 – Cristian Stassun Perguntaram se achei a resposta dos 25 anos, e eu respondi fatos. Depois de profanar o templo de Zeus numa invasão tensa, depois de tirar minhas fotos proibidas da Capela Sistina, de ter dormido no chão onde pisou Sócrates e Platão e na Piazza San Marco onde Monet pintou sua famosa tela, de ter me perdido em quase todos os lugares que achei estar perto do Vale do Loire, de ter provado aquele chapeu bolchevique em Praga, rir de verdade do sorriso da Monalisa no Louvre e chorar de medo no Campo de Concentração de Auschwitz, eu comecei a encarar os fatos. Sim, depois de voar de parapente nos Alpes Suíços, correr pelas ruas de Berlin para achar os restos do muro, ver Santorini depois de um cruzeiro pelas ilhas gregas, correr pelo convés com 2 finlandeses tortos pelo ouso, de ver as prostitutas na Red Ligth Street em Amsterdam, de subir na cabeça do túmulo de Marx, de escrever o nome da minha amada nas areias da Normandia, de subir os alpes bávaros com uma bike nas costas tentando me imaginar o Rei Ludovico do Castelo de Neuschwanstein, de subir no topo da torre Eiffel e fazer pipi no mausoléu de Napoleão. Depois de ganhar abrigo em Bruxellas na casa de uma desconhecida, assistir em Cortona um casamento Sob o Sol de Toscana, uma missa na Notre Dame sem achar o Corcunda, sem achar Sherlock Holmes na Baker Street, nem a Rainha, nem o Papa, eu também nem cheguei a estar perto de mim mesmo… Fui buscar uma resposta para uma pergunta mal feita… pois perguntava se era com 25  anos que estaria homem feito, mas não me questionei do mais importante. Que importava se as pessoas me respeitavam na rua como algum senhor arrogante que respirava maturidade, se eu não sabia nem o que  fazer com o resto da minha vida. Um mês e meio depois eu voltei, apresentei minha dissertação de mestrado, virei Mestre em Psicologia e fiquei pelo menos 4 semanas em depressão total. Contraditório, não? Eu estava mais sem rumo do que antes. 25 anos era para fechar uma etapa da vida e abrir outra. Dei com cara na porta, sem mais portas, sem chaves, sem ninguém para chamar e abrí-la por mim (knock-knock-knockin’ on heaven’s door). No final da viagem, abriu para nada, abriu para uma ferida. Profunda. Pois estava sem mais os grandes sonhos de estudante e adolescente. Consegui meu mestrado, minha viagem para Europa, eleger meu vereador, ganhar minha tão sonhada grana. E daí? O Lacan, sucessor de Freud, dizia… existe sempre uma falta… a escassez gera necessidade… o que faz a gente lutar e não entrar em deprê, é essa falta, essa busca no futuro. Esse futuro que nos puxa mais do que o passado empurra. Essa visão clara de um futuro promissor e com uma causa, um sentido, uma meta, um sonho! E aí estava eu, sim, com a boca cheia de lama, com umas fotos da Europa e com mil responsabilidades para resolver… pensei na vida… Puta, que saco, custou caro o mochilão. Mesmo dormindo na rua, pedindo carona e comendo Mac a 1 Euro, e não havia conseguido responder o que Aristóteles falava na Grécia a mais de 2 mil anos… QUAL É A VIDA QUE VALE A PENA SER VIVIDA? Eu estava no jardim de Luxemburgo, num sábado, sentindo o cheiro das flores, olhando a torre Eiffel de longe e deliciosamente espreguiçado numa cadeira, esperando o sol se pôr. Pensando, o que farei amanhã? Castelo do Loire? Grand Place em Bruxelas? Gaudí em Barcelona? Região de Toscana na Itália? Cotê d`Azur no sul da França? E o eu mais me machucava era pensar que em Rio do Sul, eu estaria me fazendo as mesmas perguntas… Porém, o que estaria fazendo em pleno sábado? Olha, com certeza estaria vegetando na frente do PC, pensado que a noite eu ia para as mesmas festas de sempre, ver as mesmas pessoas de sempre e repetir todas as coisas de sempre. Repetir e repetir, trabalhar e trabalhar. Minha menina ainda falou – se contenha com as coisas simples da vida -, só que ficar repetindo as coisas simples da vida enchem o saaaco… Quais as melhores respostas que encontrei sobre a pergunta de Aristóteles? Da vida que vale a pena? Bem, tem gente que compra o sonho da igreja. Casamento. Tem gente que compra o sonho da vergonha dos amigos. Um carro. Tem gente que compra o sonho do comercial da TV. Uma TV de plasma. Tem gente que vende o sonho da inveja. Vive a vida dos outros. Tem gente que vende o sonho miséria. Acumula bens e morre por anos. Eu comprei um outro sonho. O de viver. De ser livre. De acumular lembranças. De ter sensações. E de não esperar por um casamento sonhado pela igreja, uma vida sonhada pela minha mãe, uma vida invejada pelos inimigos, e não esperar ser rico pra viajar. Quem sabe a vida de adulto, amigos; seja o que todos fazem mesmo. Viver esses sonhos dos outros e depois dos 25 juntar as trouxas (todos trouxas) e casar, ter filhos, uma casa e um cachorro linguicinha. Sei bem que o padre da São João Batista não soube explica por que em 2008, Rio do Sul teve 200 casamentos, 100 separações e 99 divórcios, nem eu saberia, quem sabe a vida me explique. Só não tiro da cabeça que o que devemos escolher, por essa passagem curta pela terra, seja a vida que vale ser VIVIDA por você… pelos seus sonhos, pelos seus passos, seus desejos e pela parte sua ansiosa que tem sede de conquistar! Se Shakespeare diria “Coma, beba e divirta-te, você morrerá amanhã!” Eu diria “Corra, viaje e ria-te, você viverá o hoje!”… Agora… Quem sabe haja alguém aí no blog pra me dar uns conselhos. Alguém que viveu mais que eu e diga… qual das suas vidas valeu a pena ser vivida, sem medida, sem saída… agora.

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