Eleanor Marx – trecho livro

“Há vários dias não consigo dormir. Passo as noites em claro, do começo ao fim. É como se uma das feiticeiras de Macbeth tivesse dado a mim o seu castigo: ‘Eu a deixarei seca como o feno e o sono, dia e noite, manter-se-á longe de seus olhos.’
No lugar do sono, são os pensamentos que vêm sem parar, em ondas obsessivas, e eu me afogo neles, tento fugir, escapar, contar carneiros, pensar na casa de Grafton Terrace, pensar nos meus tempos felizes, mas nada adianta. Os pensamentos são por demais dominadores, são mais fortes do que minha vontade. Tomam conta de minha cabeça e não me deixam, mesmo quando eu vejo a temível claridade do sol romper a névoa e se insinuar pouco a pouco pelas cortinas. Não quero tomar drogas; anos atrás, depois da morte de minha mãe, quando passei por noites assim, tentei várias drogas mas sempre me senti pior. É esgotante não poder dormir e temo o completo colapso. Quero escapar das minhas obsessões, quero enfiá-las em um saco e jogá-las pela janela, quero destruí-las, queimá-las, matá-las, mas não sei fazer isso. Não consigo. Minha cabeça parece completamente cheia e, ao mesmo tempo, oca. Ou sou eu toda que estou vazia e oca, não sei bem.

Trecho do livro “Eleanor Marx, filha de Karl”

E minha estimada Sheila nicoliche (shn1319@hotmail.com) continua com sua “tão suave doce loucura”…

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