A menor Poesia Brasileira é sobre o Amor.

É aquela que Oswald de Andrade publicou no fim dos anos 20, com o título “Amor” seguido por uma palavra-poema, “Humor”.

“Amor

Humor.”

Há poemas curtos de todo tipo, muitos dos quais tratam do mesmo tema de Oswald. Lembro o epigrama, as quadrilhas ou as jarchas ibéricas, aqueles poemetes líricos de quatro versos. Há também o chueh-chu chinês, com 5 ou 7 caracteres em cada uma de suas quatro linhas.

Há até poesias brasileiras com menos letras que “Amor/humor”. Está aí o “Cronologia”, de José Paulo Paes, para não deixar a gente mentir. “A.C. / D.C. / W.C.” é um resumo crítico e bem-humorado da história humana. Mas só é menor que o dístico oswaldiano se a gente descontar os pontos de abreviatura. Aí, o número de sinais gráficos seria mesmo menor que os do poema de Oswald.

Mesmo que não seja o poema mais curto, é de todo modo um achado esse encontro a sós entre amor e humor. Não só porque rimam. Têm muito em comum. Ambos só podem ser feitos acompanhados. O amor carnal, tesão de pele, roçar de coxas, arranca do corpo o suor que é pura umidade, que vem de húmus, matriz latina da palavra “humor”. O amor sexual, de quebra, melhora nosso humor. É, enfim, alegria mútua, festiva, um estado de ficar bem e de fazer ficar bem.

Por: Luiz Costa Pereira Junior

Anúncios