Se a tristeza ganha da alegria, não é amor

O amor não é imune a tudo, não é um vale-tudo e é muito prejudicial que criemos essa ideia e acreditemos nela. Em nome do amor, muitas vezes aguentamos circunstâncias desagradáveis e ficamos presos dentro de relações que estão muito longe do sentimento de amar.

O medo da solidão, da mudança na vida ou de surgir um arrependimento posterior nos leva a manter relações que já não nos trazem nada, que tiveram seu fim e nem percebemos, e que nos trazem mais problemas e amarguras que alegrias.

Em algumas ocasiões pensamos que “é uma fase”, que será passageiro, ou que a pessoa mudará de comportamento, mas na maioria das vezes nada disso acontece. Pois se não há amor, se não se sente no corpo e na alma o amor, mesmo que ele seja dito… a relação morreu e é hora de tomar decisões para melhorar a vida mesmo que existam medos que nos limitem.

O amor também tem fim

O hiper-romantismo criou ideias na sociedade muito prejudiciais e insanas acerca do amor e de relacionamentos amorosos. Venderam para nós, por meio de músicas, filmes e poemas, que só o amor dá sentido a nossa vida, que se é verdadeiro será para sempre, que por amor temos que aguentar tudo, etc. Isso não é apenas prejudicial para nosso bem-estar emocional, mas é também totalmente falso.

O amor não dura para sempre, isso está cientificamente comprovado e é o que acontece naturalmente. O amor não dá sentido à vida de ninguém, o sentido vital não vem de coisas externas a nós, mas sim do interior, do próprio sujeito com sua interpretação do mundo e sua capacidade de apreciação e prazer. Obviamente, não temos tampouco que aguentar tudo por amor.

Tolerar certas coisas em uma relação é normal e saudável. Como sabemos, ninguém é perfeito e outras pessoas também toleram muitas coisas em nós. Do mesmo modo, nós temos que tolerar algumas coisas nas outras pessoas.

O problema surge quando aguentamos certas coisas que vão contra nossa identidade, nossos valores e até mesmo contra nossos direitos. Ou simplesmente quando notamos que a outra pessoa não se dedica de fato a nós, não nos apoia, não cuida de nós, importa-se apenas com sua própria vida.
Evidentemente, está no direito da pessoa decidir e viver sua vida como quiser, mas no momento em que essa decisão te exclui, a relação chega a um fim, e não se pode mais chamar aquilo de amor.
É claro que cada pessoa ama de um jeito. Há pessoas que são muito mais carinhosas e expressivas que outras, mas há detalhes que são indispensáveis. Não pode haver falta de respeito, violação de nossos direitos pessoais, que tentem a nos manipular ou nos fazer mudar quanto à forma de pensar, de sentir ou de viver. Essas coisas são inegociáveis. Se a outra pessoa gosta de você como você é e o escolheu justamente por ser você, não há sentido em querer mudá-lo, machucá-lo ou manipulá-lo.
Com essas reflexões é possível pensar em sua relação atual e observar a si mesmo de fora: você sorri muito? Passa os dias bravo? Discutindo e triste? Fica mais à vontade com outras pessoas que com seu amor? Seja sincero consigo mesmo e responda a todas essas perguntas.

Como tomar uma decisão?

Se você perceber ou concluir que o amor não dá as caras faz tempo, que o amor já não está presente, mas tem medos que o impedem de tomar um novo rumo, é conveniente pensar sobre isso de maneira racional e pragmática e ter em mente os seguintes conselhos:

  • Valorize-se. Não deixe que ninguém te trate como você sabe que não merece. Ninguém merece estar em uma relação em que é ignorado, não é cuidado, apoiado ou é desrespeitado. Mas se você permitir isso em algum momento, continuará acontecendo. Portanto é imprescindível colocar limites, apesar do medo da mudança, é você e só você que poderá fazer isso por meio da autovalorização, querendo a si mesmo acima de todos os outros.
  • Aprenda a perder. Nem sempre as relações amorosas vão bem e essa é uma realidade que atinge a quase todo mundo em algum momento. Quando isso acontece, não tente forçar as coisas, não siga em frente num caminho que sabe que está fadado ao fracasso. O mais sensato e inteligente é saber perder e ir embora dignamente.
  • Fuja do drama. Qual a pior coisa que pode acontecer se você terminar a relação? Você não precisa dessa pessoa. Antes de encontrá-la na vida, você nem sabia que ela existia e a vida era tranquila e feliz. Ninguém é imprescindível para sua vida além de você mesmo. É preciso enfrentar a situação com sossego, sabendo que não precisa de ninguém para ser feliz e muito menos de uma pessoa específica. Só você é responsável por cair ou não em uma fase ruim ou em um estado emocional disfuncional.

 

 

Autora: Alice Amar

Fonte: http://amenteemaravilhosa.com.br/se-tristeza-ganha-alegria-nao-amor/

 

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