O que parece um final pode ser meu melhor começo

Passará uma determinada quantidade de anos e eu morrerei. Talvez esse seja meu fim definitivo, mas até então todos os dias serão a soma da grande história da minha vida, cada começo e cada final. Uma história que quero viver e que se compõe de muitas outras histórias marcadas de momentos, sentimentos e vivências que começam e que também terminam.

É assim como tudo começa e tudo termina. As experiências se sobrepõem e nenhuma me deixa indiferente, porque têm sua duração necessária para contribuir com o que devem e depois vão embora. O pior que posso fazer nesse sentido, eu sempre soube, é continuar acreditando que algo dura quando já terminou.

Somente se eu aceitar o final, acreditarei no começo

Assumir que se render não é uma opção é uma das premissas das quais sempre me lembro. Nesse contexto isso me parece muito apropriado, porque foi justamente no momento em que me dei conta de que estava aceitando que algo acabou que mais senti que não tinha me rendido.

“Nada está perdido se tem o valor de proclamar que tudo está perdido e que é preciso começar novamente”.
– Julio Cortázar –

Não é uma opção acreditar que a realidade não é o que realmente é: me obrigo a aceitar que existem pessoas que vão embora, ou que eu mesma posso ir, que há cidades que tenho que deixar para trás ou que algo que um dia foi, não pode ser mais. Em outras palavras não se trata de começar do zero, e sim de aprender a ser como sou e com quem posso ser.

Embora a incompreensão corte a risada, ainda posso rir

A incompreensão faz com que seja difícil acabar com algo que me provocou insegurança, desorientação e dor: todos nós nos vemos dentro de labirintos, situados justamente na porta de saída, mas sem as chaves que nos permitiriam sair e continuar.

Nestes momentos, eu, como todos nós, não via nada claramente e os finais pareciam se estender no tempo, sem concluir nada definitivamente. Percebi, apenas quando cheguei ao fundo do que acontecia, que eu tinha que tomas as rédeas da minha vida e me esforçar para fechar completamente esse final em aberto.

“Estou um pouco ferido, mas não estou morto

Me deitarei para sangrar um pouco.

Mas logo me levantarei para brigar de novo.”

– John Dryden –

A capacidade de resiliência é o que nos dá força e nos ajuda a nos vermos refletidos no poço, para aprender com o que vemos. Dessa maneira, ainda que a incompreensão tenha cortado meu sorriso alguma vez, descobri que ainda posso continuar sorrindo: apesar de tudo estar perdido, posso voltar a me encontrar.

Um final é a oportunidade de um novo começo

Depois de todos os esforços, superei meus finais e, com eles, meu passado: entendi que um final é a oportunidade para voltar a viver outro começo. Você também pode fazer isso. Pode se lembrar, quando precisar, daquela ideia similar de que para que você possa dar a si mesmo um novo dia, precisa ter visto como estava a noite passada.

Cada dia é uma oportunidade para que seja seu melhor começo, em qualquer âmbito, ou para manter aquilo que te faz feliz. Não é preciso perder nunca a certeza de que tiramos dos maus momentos forças que pensávamos não ter, e reconstruímos valores que estavam presos.

O tempo e os acontecimentos andam junto com a mudança e as pessoas também mudam com isso. Crescemos e aprendemos com os erros que cometemos e que as pessoas cometem conosco, vivemos e sonhamos com a felicidade que temos e proporcionamos. Por isso, um final pode ser o meu melhor começo, o seu melhor começo.

“Meu passado não é uma lembrança, é a força que me apoia, me impulsiona e me guia, não é que eu compreenda onde ele me leva, mas como em qualquer história, o passado precisa de determinação, porque o passado é o começo.”
– Samus Aran –
Autora: Cristina Trilce
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