… E VOLTO TODOS OS DIAS.

Amo duas vezes, sinto todos os corpos deitados, como num excesso de luz.
Tenho no coração todos os meses, boca cheia de dizeres rejeitados, pequena embriaguez que se seduz.

De quem não cresceu, de quem rouba outros silêncios sinceros, as palavras que você não consegue enxergar.
Pois essas frases escondi em mim, de pedras e vazios desertos, do beijo meigo que meus lábios nunca vão te dar.

Sou esse incomodado, sem remédios, que dá voltas na solidão.
Sem realidade, os meus pés invadem esses domingos, cravam raízes no chão
Me carregam solto, novamente o dizer que eu estava morto, numa briga ligeira onde só havia escuridão.

Sem rimas fáceis, sem meu violão de três cordas, paisagens quebradas,
sem direito de escolher, sem o dinheiro, sem saber ao certo se era o amor que me roubavas,

sem as roupas brancas que do meu corpo arrancavas, reveillons passados, corpos em ondas vazias,
eu já nem vivo mesmo todos os dias. Eu já nem vivo essas alegrias que as propagandas cantavam…

O tempo que me toma como um doente, que não se detém, uma feiticeira e seu açoite,

A terra que abre meu desejo com seus grãos de febre, seu sopro, seu suor, meu corpo em fraqueza nessa noite.
Em seus cabelos negros de rodas espessas, que me giram tonto em tantos espaços de viver,
E eu aqui, ainda sincero me perco, me salvo, minhas lágrimas não sabem para onde sofrer.

Foi por você que naquela tarde de sol quente, abandonei a casa dos meus pais,
Meus olhos voltados pra frente, meus anos deixados para trás…

Foi por você que deixei de viver nesse palco de palhaços,
Foi por você, que o tempo me disse o que não percebia
Para nascer todos os dias felizes em seus braços
Nunca mais me afastar desses versos de covardia

Vou gritar a todos e dar o rumo ao meus passos

De te amar a esmo, mesmo e muito, todos os dias…

(Cristian Stassun – 24/09/2007)

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