Comentário desse Blog e minha resposta.

Olá Cristian!!!

Td bem contigo?

Preciso te contar algo, melhor, preciso te culpar de algo….
Adquiri um hábito terrível….e sabe, acabei percebendo isso um pouco tarde.
Já estou viciada….

Toda vez que sinto falta de conversar com alguém, venho até o seu blog.

Isso acontece principalmente qdo estou cheia de perguntas existenciais, neuroses, ou até mesmo cheia de vazio.

Cada vez mais percebo o qto é difícil conversar com as pessoas sobre determinados assuntos.

Não que eu seja alguém intelectual, inteligente demais, não é nada disso.

É que tenho tantas inquietações que mtas vezes não consigo simplesmente sentar em um bar beber e falar besteira…

Tenho uma necessidade incontrolável de tentar descobrir quem eu sou.

Vivo a margem de tentar descobrir quais os meus propósitos, oque realmente eu gosto, oq me incomoda, oq não me faz diferença ou não.

Sou totalmente inconstante.

O pq de estarmos aqui se um dia partiremos?

Vejo as pessoas, a grande maioria, num ir e vir frenético não dando a mínima para nada disso.

Elas simplesmente vivem!!!!

Eu não consigo ser assim…..

Não estou dizendo q elas estejam erradas.

Na verdade, muitas vezes, acredito q eu esteja errada.

O tempo que gasto tentando responder essas questões talvez pudesse ser usado para algo mais produtivo….será?

Não sei nem ao menos se já conheci o amor, costumo falar q nunca amei ninguém verdadeiramente. (não falo de amor de família, pois esse sabemos q existe e é incondicional).

No instante seguinte chego à conclusão q já amei e mto, de várias formas, afinal de contas existem vários tipos de amor.

Defendo o relacionamento aberto, faço isso pq acho q ninguém consegue ser fiel durante mto tempo, aí me sinto hipócrita por estar num relacionamento onde tenho a certeza de que sou traída e de que posso trair a qualquer momento….

No entanto, qdo falo de traição, me sinto entrando em contradição com algo, por exemplo, não consigo considerar traição o interesse sexual de uma das partes por um terceiro.

Existe um sentido para td ou precisamos dar sentido a td?

Muitas vezes tento me afastar de mim, reconheço q sou minha maior inimiga!

Faz um bom tempo q não tenho conseguido fazer o exercício de sair de mim mesma para poder me observar.

Acho q ando com medo doq vou ver!

Gostaria de diminuir essa vontade de tentar entender o sentido d td,mas ao mesmo tempo, gostaria de ter por perto mais pessoas interessadas em descobrir o pq de td.

E assim vou seguindo, eu e minhas contradições….

Ah Cristian, como eu gostaria de poder dizer isso um dia…..

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

Clarice Lispector

Abraços…
Sheila

RESPONDENDO:

Parafraseando:
“Ah Sheila, como eu gostaria de poder dizer isso um dia…..”

Era domingo de manhã. 5 da madrugada. Imagine um loiro, alto, forte se contorcendo na cama como um bebê antes de dormir… Pare, e tente imaginar, Sheila.
Explico pra você… Voltei de uma festa com gente chata, momentos chatos e pessoas lindas tentando impressionar os olhos dos passantes. hehehe, os meus por exemplo. Era um dia real, horas normais, e tudo acontecendo igual.
Mas chegando em casa sozinho.. eu me contorci, e não foi por nada isso… foi aquele sentimento que te assalta como um câncer silencioso, pouco gostoso e fatal.
O medo… medo da morte, pensar que o Cristian aqui nem vai existir pra sempre… e isso dói, o estômago dói, o pior problema`r`, verbalizar, a solução que mentes ávidas como nós não consegue encontrar…
Sei lá, talvez quis me masturbar depois (conhece Bukowski?), pois dizem que o prazer sexual é o melhor prazer, que faz virar os olhos e esquecer da vida… Mas Real Sheila… essa coisa é desnuda, é crua. Me senti mal por pelo menos meia longas horas. Algo que saia de mim. Acidente da alma. Corpo pedindo calma.
Aí sim esqueci de mim… distanciei de mim…
Contentei em forçar dormir… resistir aos pensamentos e iludir meu sono.
Pensei pelo domingo e hoje… que cura, eu psicólogo do mundo, poeta das partes vermelhas do peito apaixonado, fotógrafo de árvores velhas sem suas raízes… Essa dor, essa cura, essa descanção… só se canta…
Aproveitando a vida Cazuza`mente, intensamente, vorazmente…. mordendo as oportunidades, rasgando o vento a procura de nós mesmos e abraçando meninas como você tentando encostar coração com coração… tentando encontrar outras perguntas para tantas respostas que já cansamos de não responder.
Agora… sem medo. Medo também dói. Mas já é domingo e estou flutuando.

Cristian Stassun

A questão da morte. Como é possível lidar com isso? Entro em desespero qdo penso que um dia, td isso irá acabar. Não importa que minha vida não seja um mar de rosas, o que de fato, não é. O problema na verdade, é que ela, a vida, não me pertence. Se pertencesse, fosse minha de fato, eu não deixaria ela acabar.

Esse tormento sempre me acompanhou, só que agora tenho algumas leves crises, algo parecido com o que vc chamou de se “contorcer como um bebê”. Parecido, mas diferente, me encolho como um bebê, como se fosse um feto. Sinto todas as sensações q vc possa imaginar, parece que minha alma está se despedindo do meu corpo, e eu atônita, sem ar, com o coração disparado, o corpo tremulo, sem voz fico observando e rezando para que esse não seja meu último momento. Dessa forma, como relatei, aconteceu apenas uma vez, as demais vezes, duas ou três, foram diferentes, e me fizeram achar que seria algum mal estar….rs…antes fosse.

Pensei em freqüentar igrejas, tentar achar um conforto nessa história de deixar de existir.

Mas sei que não daria certo, me aborreço muito com questões religiosas, prefiro me entender com Deus no meu universo particular.

Cristian, pense comigo, por favor, será que isso aflige mais pessoas do que imaginamos, será que elas fingem não sentir essa fragilidade toda?

Ou simplesmente são mais evoluídas e entendem/aceitam que essa é a ordem natural das coisas.

Você falou que pensou em se masturbar para ver se conseguia desviar sua atenção sentindo prazer.

Tive a experiência de fazer sexo pela primeira vez com uma pessoa, qdo em meio a uma dessas crises, minha cabeça parecia q ia explodir de tanta dor.

Como seria estar com uma pessoa que eu sempre desejei, em meio a essa neurose toda.

Pensei, vou dar vexame, imagine ter um surto, algo assim. Cristian, tinha certeza que algo daria errado, minha cabeça dava voltas, mas era tarde para voltar atrás.

Mãos tremulas ao volante, o coração…taquicardia, bateria de escola de samba era pouco.

O celular na mão, liguei para uma amiga.

– Tathi, é a She.

– Oi, td bem She?

– Não muito, to em meio a uma daquelas sensações de quase morte.

– Relaxa amiga, você sabe q vc não tem nada. Vai passar.

– Tathi, estou indo encontrar com um cara com quem sempre tive vontade de estar, e já deixei passar várias vezes essa oportunidade.

Estou indo ao encontro dele, se eu não te ligar em 05 horas, tente me achar em tal endereço.

– rsrsrsrs….você deve estar ficando louca She….rsrsrs

-Bjos Ta!

-Bjos…rsrs

Cristian, nunca fui tão mulher com um homem, como fui nesse dia.

Quer saber, talvez tenha achado que aquela seria minha ultima transa…rsrsrs…

A dor de cabeça sumiu, as sensações de quase morte não tinham espaço para me invadir….eu era pura autoconfiança, com uma pitada de “sou foda”…hehe

Mas não existe antídoto, nem fórmulas mágicas, e usar sempre “isso” como argumento para espantar minhas crises…imagine!

Mesmo porque, sei, que na segunda ou terceira vez, o antidoto, faltamente deixaria de funcionar. E isso acontece, porque como disse Luis Fernando Veríssimo, salvo engano, “Quando achamos que encontramos as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”.

Sabe Cristian, às vezes tenho um domínio absurdo sobre mim, ele dura exatos 20 segundos, mas é bem real e eu acredito.

Respiro, penso, pra que tanto Sheila? Você sabe perfeitamente, que isso é passageiro, como tudo na vida, e, até mesmo a vida.

Os 20 segundos acabam, eu volto ao normal…rs

Para o auge do meu desespero lembro de Nietzsche com o maldito do Eterno Retorno.

Não,não posso ser só isso, esse amontoado de dúvidas!

O medo dói?

Ele dilacera minha alma.


Bjus

Obs:
Não posta no blog, please!

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