“O maior inimigo do candidato é o político”

“O maior inimigo do candidato é o político”

“[..] o marketing eleitoral não deve procurar disputar o voto cristalizado, mas apenas  os “flutuantes” e os “retardatários”, que são característicos de um eleitorado menos definido ideologicamente e de baixa motivação política. Portanto, só o marketing pode enfrentar esta situação de indiferença do eleitor comum à campanhas de conteúdo político.
Como conseqüência, “o maior inimigo do candidato é o político”, frase que segundo este autor é uma caricatura que “guarda traços fundamentais de veracidade”. Portanto, “as técnicas indutivas da decisão do voto massificado – isto é, o marketing político – constituem hoje, no Brasil, um campo de saber-e-fazer muito evoluído… que veio para ficar. O fato é que, no mundo de hoje, tornou-se improvável o sucesso numa eleição apenas por meios puramente políticos, sem contribuição substancial das técnicas de marketing” a qual, entretanto, deve ser vista como relativamente eficiente, mas limitada e não infalível nem onipotente.” (Almeida, 2008 )

“A idéia é moldar o indivíduo, como moldar um produto”.

Segundo Vera Chaia (1996) “Para os profissionais de marketing, o candidato a um cargo político, deve respeitar todas as etapas que envolvem a venda de um produto: desde a criação de uma plataforma política, até a ‘embalagem’, ou melhor, a conduta política, a forma de vestir, de se expressar”. Neste sentido, o marketing político não buscaria a formação de um projeto político e de um candidato como “ele é”, e sim de modo que torne mais fácil a sua aceitação pelo mercado, ou seja, pelo eleitorado. Seria uma forma “científica” de conquistar votos, através dos mídia e as funções do marketing. O candidato, (ainda segundo Chaia citando Richers7), “deve conhecer as necessidades de seu eleitorado, e ‘identificar-se com o ideal condizente com o mercado’, ‘criar uma marca’, ‘o político deve, depois, procurar ampliar vender a sua imagem’, ‘e apresentar promessas convincentes’ e trabalhar para ampliar seus apoios. Nesta concepção de marketing, ‘você não muda o indivíduo, mas pode educá-lo, ou levá-lo a auto-educar-se, para atingir esse objetivo, adotando, por exemplo, uma filosofia política’, ‘a idéia é moldar o indivíduo, como moldar um produto”. (Almeida, 2008 )

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