Na Natureza Selvagem (Into The Wild, 2007)

Boa dica da vez…. Filme Maravilhoso!

Veja Trailer:

Na Natureza Selvagem (Into The Wild, 2007) é inspirado no livro homônimo, escrito por Jon Krakauer, sobre a vida de Chris McCandless. Aos 22 anos, o jovem largou sua estável vida de bom aluno e classe média-alta para partir em busca de liberdade e aventura. Deixou para trás também a sua própria identidade, rebatizando-se Alexander Supertramp. Com um destino em sua mente, o longínquo e desabitado Alasca, ele foi cruzando o continente e as vidas de muitas pessoas que lhe davam carona, casa ou um emprego temporário.

Além de criar um road movie, gênero típico das descobertas e reflexão do personagem, Penn vai também mostrando um pouco do seu país tanto nos aspectos geográficos – passando por corredeira, deserto e neve – quanto humanos. Supertramp vai vendo e entendendo os diferentes níveis de relacionamento que podem haver entre as pessoas, como os hippies Rainey (Brian Dierker) e Jan (Catherine Keener) e o solitário veterano de guerra Ron Franz, papel que rendeu uma justíssima indicação ao Oscar a Hal Holbrook.

Para ajudá-lo a mostrar as paisagens, é imprescindível a participação do diretor de fotografia Eric Gautier (Diários de Motocicleta), que passa o filme equilibrando a importância do protagonista com as paisagens ao seu redor. E para acentuar este trabalho, entra ainda a bela e emotiva trilha sonora criada por Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, em seu primeiro projeto solo.

Mas nada disso teria a mesma força sem o ator certo. Para interpretar toda essa catarse física e psicológica enfrentada pelo protagonista, Penn escalou Emile Hirsch. Mais conhecido pelos papéis de adolescentes que fez recentemente em Alpha Dog, Os Reis de Dogtown e Show de Vizinha, Hirsch amadureceu junto com seu personagem e inicia agora uma nova fase na sua carreira, como adulto. Torçamos para que as cores e a velocidade enfrentadas no Speed Racer dos irmãos Wachovsky não o façam perder o bom caminho que já o levaram tão longe.

Fonte: http://www.omelete.com.br/

OUTRA VERSÂO

Christopher Johnson McCandless nasceu em 1968 e cresceu no estado da Virginia, EUA. Filho de um engenheiro da NASA, ele sempre se destacou por sua habilidade atlética e um certo isolamento, que se traduziu num crescente descontentamento com a situação social nos EUA. Em 1990, inspirado pelos trabalhos de escritores como Jack London, Leon Tolstoi e Henry David Thoreau, largou tudo após concluir a universidade, doou suas economias para a caridade e se tornou um andarilho, assumindo a alcunha de Alexander Supertramp. Viajou pelos EUA, alternando períodos na estrada e trabalhos temporários. Sua peregrinação culminou em uma viagem para o Alasca, onde pretendia viver da terra em um estado de isolamento e contemplação.

A história real de Christopher McCandless se tornou o livro “Na Natureza Selvagem”, de Jon Krakauer, em 1997. Dez anos depois, o ator e diretor Sean Penn reacende a lenda deste jovem, neste belíssimo e emocionante drama. O filme traz um magro e barbudo Emile Hirsch (“Os Reis de Dogtown”, “Alpha Dog”) como protagonista, quase irreconhecível para quem se lembra de seu papel como o garoto de “Show de Vizinha”, de 2004. “Acho que eu tinha uns 9 anos quando passou um programa na televisão e eu fui cativado e fascinado pela história desse cara que foi para o Alasca”- lembra-se Hirsch – “Aquilo me impactou profundamente quando eu era criança. Depois que Sean me ofereceu o papel e eu li o livro, aquelas emoções voltaram com tudo.”. Tentando recriar a personalidade forte e decidida de Chris, Hirsch faz um trabalho impecável e merece cada um dos muitos elogios que recebeu de público e crítica por sua atuação. Também espanta a seriedade de seu treinamento físico: para filmar as cenas no Alasca, o ator de apenas 22 anos chegou a perder 15 quilos, atingindo o peso de 52 Kg (ele tem 1,70 m).

Eu poderia dizer que a presença dominante de Emile Hirsch, entremeada por uma narração quase poética, carrega o filme, mas isso seria uma grandíssima injustiça em relação a todos os outros envolvidos no trabalho, em especial com o veterano Hal Holbrook. Holbrook interpreta Ron Franz, um viúvo e veterano de guerra que conhece Chris durante suas viagens e por algum tempo convive com o andarilho, ensinando-lhe sobre sua profissão. Ron, assim como tantos outros no caminho de Chris, vive à margem da sociedade, isolado em um mundo particular. O momento da despedida entre ele e o jovem idealista é o momento mais emocionante do filme, tanto que Hal Holbrook foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante em 2008. Outros atores também marcam presença no longa: William Hurt e Marcia Gay Harden fazem os papéis dos pais de Chris e servem como vínculo do andarilho ao seu passado; a jovem Jena Malone interpreta Carine, a irmã de Chris, e faz muitas das narrações do filme, contando um pouco do passado dos dois irmãos. Uma surpresa entre os coadjuvantes é Brian Dierker, treinador de Hirsch nas cenas com caiaque, que acabou sendo convencido por Sean Penn a interpretar Rainey, um hippie que viaja pelas estradas em seu trailer com a parceira Jan, vivida pela atriz Catherine Keener. Outro nome que merece ser mencionado é o da bela Kristen Stewart, interpretando uma adolescente no acampamento de trailers de Slab City que se apaixona pelo espírito aventureiro de Chris.

Desde o lançamento do livro de Krakauer, Sean Penn buscava uma oportunidade para obter os direitos de filmagem da história. Foram tantos anos até a família MacCandless se sentir preparada para reviver aquele período em suas vidas, que quando o projeto recebeu o sinal verde, Penn já sabia exatamente como fazer seu filme. “Era como se Sean tivesse pensado no filme durante todos aqueles dez anos. Tudo aquilo simplesmente começou a sair porque o filme inteiro já estava dentro dele antes mesmo de Sean escrever uma página” comenta Art Linson, produtor do filme. Isso fez com que Sean Penn tivesse tempo para fazer escolhas muito específicas para a produção. Para a cinematografia, que envolveria muitas paisagens naturais e deveria tentar transmitir o sentimento de assombro de Chris em relação à natureza, o diretor procurou Eric Gautier, diretor de fotografia em “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles. Nas palavras de Sean Penn: “Eu conversei com Walter Salles, quem eu conheço e respeito muito, e ele começou a falar sem parar como Eric era excelente e um verdadeiro artista e tal… e ouvir isso de Walter foi uma coisa e tanto… Eu sinto que fui muito sortudo, pois este é o cara com quem quero fazer todos os meus próximos trabalhos”. Não só na identidade visual de “Na Natureza Selvagem” vemos o cuidado de Sean Penn. O diretor também queria que o filme tivesse uma identidade musical única e acabou procurando Eddie Vedder, ex-vocalista do Pearl Jam, para complementar a trilha sonora para a película. O compositor já conhecia Penn desde seu trabalho na trilha sonora de “Os Últimos Passos de um Homem” e não hesitou em participar do projeto. Vedder compôs várias das canções originais do filme, tocando ele mesmo todos os instrumentos em muitas das composições. O estilo rústico das músicas e a voz de Vedder caem como uma luva no ritmo e na fotografia do filme, criando uma trilha sonora marcante e que não deveria ter ficado de fora do Oscar de 2008. A impressão realmente é de que a música de Vedder ajuda a contar a história e mergulha nos pensamentos de Chris à medida que este atravessa os EUA.

É difícil não ser repetitivo ao elogiar “Na Natureza Selvagem”. Um trabalho que mostra uma grande maturidade artística de Sean Penn como diretor e roteirista e uma produção impecável, com atuações emocionantes, é o mínimo a se dizer. Dizer que o filme além de belo traz uma profunda reflexão sobre nosso papel na sociedade também seria apenas tocar a superfície de “Na Natureza Selvagem”. Mas nesse ponto acaba a crítica cinematográfica e começa a filosofia, então prefiro deixá-los com o filme e com suas próprias reflexões.

Gustavo Catão Na Natureza Selvagem Na Natureza Selvagem

http://www.cinemacafri.com

Comentei algo com amigos no msn:

“ele queria fugir
mas depois o filme
mostrou que não
ele queria uma vida diferente da formulada pelo capitalismo
pelo munto atual
de ter uma carreira
de ter uma familia formal
sexo formal
dinheiro formal
desejos pré-estabelecidos
ele diz que não é só os outros que dão sentido a nossa vida
a natureza
a liberdade
ela também nos dá o que precisamos
no final ele re-escreve
“a felicidade só é real se compartilhada”
e morre sozinho
em pleno alasca
é achado 2 meses depois
por caçadores de Alce”.

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