Resposta ao meu Texto (REPÚDIO AS MULHERES FRACAS DE “ESPRÍTO”)

Protesto, Revolta, qualquer coisa!!!

Por Amanda F. (Não tive oportunidade de pedir autorização para publicar, peço desculpa desde já se ela ler)

 

Isso é um protesto basicamente feminista e não baseado em época alguma, senão essa mesma. Digo isso a uma pessoa que sabe muito bem que precisa ler isso.

Somos almas perambulando por esse mundo, um dos piores mundos pra se viver. Cala essa tua boca quando inventar de falar algo que machuque alguém. Não acreditas mais no amor? Pois bem, te digo que também não.

Seria mais fácil esquecer os dias e as noites do que acreditar novamente no amor não é mesmo??? Porque não há mais poesia, nem o consentimento de sonhos em nosso coração, nem aquele pensamento vago e assustador nas noites em que nos afogamos na solidão do nosso quarto. Não há basicamente mais palavra alguma que possa desmistificar qualquer sentimento que tenhamos.

EU:

As janelas simplesmente se fecharam e nem os anjos podem bater suas asas perto de mim.

Meus suspiros são constantes e por mais que eu pense que logo adiante há uma vida linda me esperando, penso que não a mereço, porque sou fraca, pequena, simples, sou eu.

Não sou mercadoria que anda em supermercado, em prateleiras de ferro e deformadas pelo calor e maresia, não sou um frasco de perfume importado, nem a essência das dores.

Não sou a cor, nem a morte, nem a sorte.

Quem me dera fazer você entender que além desse jardim seco, sem flores, há um lago em que você pode se banhar. Os oásis existem. Não queira apenas sentir o calor do sol e reclamar de sede.

Somos desabitados de nós mesmos e flagelamos nossos sorrisos, querendo reprimir a saudade que sentimos do beijo, a saudade que sentimos das mãos. Os pedaços que se encaixaram aos poucos sem que pudéssemos ou precisássemos dizer mais nada!

Perdeu o sentido?Recupere , junto com seu fôlego de menino de dezoito anos e dois meses, que não quer nada mais do que colo, para reaver seus vinte e um anos e se deliciar pela nova vida.

Não tenha só pesadelos. São fases, como muitas outras. Perdemos, ganhamos, sofremos, rimos, desesperamos, xingamos, batemos…ironizamos, construímos, negamos, mas sempre nos reerguemos e sabe por que?

Porque nos amamos mais que qualquer outro ser. Pode ser egoísmo, altruísmo, egocentrismo.

Quero rir com você, quero que o sereno me faça perder a voz de novo, quero um beijo roubado, quero a chance de escolher o edredom que vai me cobrir nas noites frias.

Quero beijos com gosto de pão de queijo, bala de chocolate, na chuva (nunca fiz isso). Quero fazer cafuné até seus olhos tão pesados e cansados, baterem em sua pele tão sensível e linda, até que adormeça ao meu lado apenas uma vez.

Mas se você insiste em não querer ver mais nada além dessa nuvem de poeira é uma pena, pois está deixando de viver tantas coisas que eu também queria viver.

Não falo de ter alguém pra dar presente no dia dos namorados, falo de alguém pra “rir o meu riso, chorar o meu pranto”. Falo da presença consentida, dos dias de loucura na escada do prédio. Das estrelas entrando em seus olhos na noite mais desesperadora da minha vida. Falo do poema que não recitou, da música que não temos, falo dos beijos que ainda virão, dos medos que teremos, das pessoas que ainda conheceremos, das palavras que ainda calaremos, porque não somos perfeitos.

Como bem disse, somos faíscas.

Não nego os defeitos, nem a teimosia, mas não sou fútil, nem carrego acessórios chatos e irritantes que provém de alguma outra relação. Te proponho vida nova, banho de cachoeira, chegar depois das seis. Não tenha medo de quebrar paradigmas, nem de sussurrar meu nome no escuro. Quero sentir sua respiração e saber que estás com o corpo e mente aqui e que nada vai fazer você mudar de idéia. Quero saber que posso acreditar novamente no amor, mas para que isso aconteça, não depende apenas de mim. Não depende apenas de você.

“Se fosse fácil achar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim”.

Hoje é apenas uma segunda-feira do final do mês e não há nada de muito importante nesse dia. Mas alguns gestos me deixaram feliz, você está reaparecendo pras pessoas e o que escreveu me fez ter fé.

Não quero confiscar teus pensamentos, nem digitar grosserias, não quero mais brigar sobre algo machista e proveniente de dores pós- fim de alguma relação. Quero que saiba que amo cinema e pipoca, e não me importo se assisto filmes de ação ou comédia romântica. Não me importo se o filme é velho, é novo, se seu time perdeu, se o meu está na série B. Quero estar com você. Estranha essa forma de demonstrar as possibilidades da vida não acha?

Faço isso em nome da nossa amizade e te proponho alternativas. Troque a personagem, vista outras roupas, mude a época, mas deixe cair essa sua armadura de cavaleiro da era medieval.

Tenha seus castelos, mas abra os portões!

Tenha sonhos, brinque de esconder, empreste seu ombro, se acolha nos braços dos seus amigos, se refugie da sua tristeza sem que isso interfira na sua vida.

Seja grande, seja Davi.

Vença suas batalhas internas. Destrua esse terrorista que está em seu coração. Mande comprar balas (de calibre 38) atire ele contra todas as paredes e o jogue do penhasco. Cave suas dores na terra, derrame suas lágrimas numa garrafa de vinho e jogue ao mar.

Mande seus medos pastarem. Manda eles se enterrarem na areia movediça.

Seja rei, seja filho, seja namorado, seja homem, menino, seja bruxo, meio mago…

Não deixe as desavenças do mundo interpelarem a pessoa linda que está em você. E nem falo de seus encantadores olhos verdes, nem do seu sorriso de moleque.

Falo do sentido que tem seu beijo, falo da sua saliva quente, maravilhosa, seus lábios tão significativos.

Falo das festas que sempre quis te beijar, falo do meu porre desnecessário quando me vi sem saída.

Falo das palavras que sempre quis dizer, mas que foram esquecidas devido alguma outra besteira.

Queria que percebesse que ao seu lado existe alguém.

Se puderes fazer isso, quem sabe eu acredite novamente no amor. Não quero promessas, nem sorrisos disfarçados.

Não precisas dizer nada, apenas leia.

Isso aqui está longe de acabar e se você chegou até aqui espero que ainda tenha muito fôlego e que seus olhos não estejam embaçados como no baile.

A vida é assim. Estranha, irmã de nossos desejos.

Tão estranha e simples. Divina, charmosa e se debruça sobre nós. Os anjos estavam lá. Até a música parou (literalmente). Mas você estava ali e isso me ajudou a entender algumas coisas.

Nesse momento escuto engenheiros e estou comendo amanteigados de leite. A novela das sete que começa sete e meia já está passando na TV. Nossa, esse inverno está tão estranho.

Falta alguém para abraçar. E “pago meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez”.

Tão fácil sentir isso que estou sentindo. Meus dedos deslizam sobre esse teclado e esqueço de tudo que acontece lá fora. Caem os postes, acabam as luzes, pedestres carregam sacolas de supermercado. Capitalistas invadem a pista na contramão numa pressa desnecessária e inigualável. Grande sociedade rio-sulense. Que abranda suas fagulhas de egoísmo na masmorra das cifras, cartões de crédito, de débito, não passam de números e fotos nos jornais. São ridículos os discursos e as fantasias que eles tem ainda mais.

São patéticos. Esquecem que são vazios e que dentro do seu porta malas eles deveriam estar. Ainda não foram apresentados a vida real. Ainda não viram o pôr do sol do lugar mais lindo da cidade. Não desceram o morro numa canoa de coqueiro. Nem derramaram sorvete na calça limpa. Esqueceram de ser normais.

Que se dane o ócio, os políticos, os Robertos Jefersons, Lulas e camarões.

Ninguém sabe como é o país e o mundo em que vivemos. Pois pra todos nós falta amor. Faltam loucuras, faltam pegadas na areia, falta ouvir mais o murmúrio do mar.

Preciso ver as ondas…preciso andar descalço.

Preciso pular as cercas do sítio, nadar no rio, sentir as pedras gosmentas e me agarrar nos galhos das árvores, andar de trator, esquecer essa droga de pudor. E depois de mais um dia, saber que você também precisa de mim.

Queria saber qual seria a minha poesia…queria ouvir sua voz de novo.

“De tudo ao meu amor serei atento antes…menininha do meu coração, fique pequenininha na minha canção, molequinha levada, batendo palminha, fugindo assustada, do bicho- papão…” Seja mais Vinícius que “morais”.

Não queira saber os porquês de tudo…viva…beije, ame, role na grama e descubra desenhos com seu lápis de cera.

A vida não é só um risco, é um desenho cego!

Se nesse momento protesto, é porque percebi em você uma falta de amor absurda, mas o mais engraçado é que te compreendo.

Achas que é forte e que atingindo outros (as) com palavras vai se safar dessa dor.

Não se engane meu caro.

Tudo é mais além desse arco-íris em preto e branco.

Abrande suas palavras e queira ser amado, queira ter amor, queira fugir da cidade, passear no shopping de Blumenau. Queira Mcdonalds ao menos uma vez por mês.

Cante músicas dos Beatles, Nirvana. Assista desenhos animados, veja Aladin, Carruagem de Fogo, A família dinossauro..Tio Patinhas e os Flinstons. Tome mais guaraná que coca-cola, seja mais humano que agora.

Troque de canal, desista de ver o comercial. Se afaste dessas malditas etiquetas, dos malditos números do banco, dos quilômetros feitos na cidade.

Se perceba em frente ao espelho. Seja mais homem, mas com a vida de menino (sem tantas dores e preocupações). Apenas feche seus olhos e deixe eu segurar sua mão e te levar por um novo caminho. Me deixa te guiar. Verá que além desse mundo escuro, cheio de sombras, existe uma luz.

Nem tudo está perdido, basta querer se encontrar.

Seja meu menino…deixe-me sentir sua falta, sentir teu cheiro, sua pele…seu cabelo bagunçado depois do beijo.

Quero ver sua carinha de sono de manhã…

Sei que isso é loucura, mas estou fazendo a minha parte.

Não tenha dó, nem piedade, apenas finja que leu tudo e delete isso da sua massa cinzenta.

Não absorva meus ridículos protestos em nome de uma chance.

Não dissolva essa minha amargura em sua solução de sarcasmo e pimenta.

Apenas fracione e deguste as partes mais decentes para eu espírito.

Somos poesia…

Somos sentimento…e muito mais que isso…

Queria poder te deletar do meu pensamento.

Mas não colocaram essa tecla à disposição, me vejo apenas entre o enter e o mais.

Não falo mais…prometo.Dentre as coisas que quis dizer até aqui era que, “entendo você, se você quiser ir embora, não vai ser a primeira vez, nas últimas 24 hs”.

Sou apenas uma faísca, mas toda faísca pode causar um incêndio e isso pode ocasionar algumas perdas, como pro exemplo: lembranças ruins, medos do passado.

Bem, já dei o meu recado…meus dedos já estão gelados…

Não sei o que vai acontecer, nem quero saber disso agora…espero apenas que a vida siga seu ritmo e que o destino não seja apenas coisa de novela ou de filmes água com açúcar. Estou cansada de ver a programação da Tv sozinha.

Boa noite!

 

 

Novembro de 2005

 

 

 

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