Um bate-papo descontraído com Max Gehringer

Um bate-papo descontraído com Max Gehringer (consultor particular de

carreira do Fantástico)

 

Um dos maiores conferencistas da atualidade,  fala sobre sua trajetória e dá

dicas de como entrar no mercado de trabalho sem maiores medos e ser bem

sucedido. Max conseguiu chegar à diretoria e presidência de grandes empresas

no Brasil e nos Estados Unidos. Até que em 1999, Max foi eleito em pesquisa

do jornal Gazeta Mercantil como um dos 30 Executivos mais cobiçados do

Mercado e neste momento ele pediu conta e decidiu dar uma pausa na carreira.

E saiu por ai contando historias sobre o lado cômico do carrancudo mundo

corporativo. Hoje Max é o cronista mais lido do Brasil. Nesta trajetória ele

aprendeu que no mundo dos negócios nada vem de graça, mas tudo por vir com

graça.Max acaba de lançar seu novo livro que leva o titulo “Não aborde seu

chefe no banheiro! E outras histórias corporativas”. O livro fala do

cotidiano das empresas, mostrando o lado bem humorado das pequenas tragédias

corporativas.Numa entrevista fornecida com exclusividade ao Helpers, com seu

bom humor de sempre ele conta um pouco sobre a trajetória da sua carreira,

seu novo livro e dá algumas dicas para quem almeja um lugar no mercado de

trabalho.

 

[Helpers.com.br] Olá Max, Tudo bem? Para iniciarmos nosso bate-papo,

gostaria que o senhor contasse-nos um pouco sobre as dificuldades que

enfrentou para subir os degraus da escada corporativa.[Max Gehringer] Não

houve nenhuma grande dificuldade, porque não houve pressa nem pressão. Eu

fiz uma daquelas carreiras progressivas e sem muitos sobressaltos: office

boy aos 15 anos, gerente aos 25, diretor aos 35 e presidente aos 45. Quer

dizer, quando uma oportunidade aparecia, eu já estava bem preparado para

ela.

 

[Helpers] Qual foi o seu primeiro emprego? Quantos anos o senhor tinha na

época? Quais as lições tiradas deste emprego?

 

[Max] Meu primeiro emprego, no sentido de ganhar alguma coisa por um serviço

prestado, foi num cinema de minha cidade, Jundiaí. Eu era letrista, isto é,

escrevia o nome dos filmes em painéis de cartolina ou nos vidros da fachada

do cinema. Ganhava 1/3 de salário mínimo, mas o mais importante é que eu

podia entrar de graça em todos os filmes, incluindo aqueles impróprios até

18 anos. O que era uma maravilha, porque eu tinha 13 anos. Mas foi nesse

empreguinho eu aprendi a lição mais importante de minha vida executiva: se o

trabalho é bom, o chefe está sempre disposto a perdoar nossa rebeldia contra

o sistema.

 

[Helpers] Em sua época de faculdade, o senhor era um bom aluno? Tirar boas

notas é um diferencial no currículo de um acadêmico?

 

[Max] Eu era um aluno razoável, bom em algumas matérias, ruim em outras

(exatas, por exemplo, nunca foram meu forte). Mas notas boas não ajudam na

hora de uma contratação, tanto que nenhuma empresa pede o currículo escolar

do aluno. O que faz com que os maus alunos das escolas de prestígio tenham

mais chance do que os bons alunos das escolas sem muito nome. Assim como um

aluno que nunca perdeu uma única aula não leva nenhuma vantagem sobre um que

quase foi reprovado por faltas, porque essa informação não é levantada pela

empresa contratante. Infelizmente.

 

[Helpers] O senhor fez algum planejamento de carreira quando ainda estava na

faculdade?

 

[Max] Não. As coisas simplesmente foram acontecendo.

 

[Helpers] Qual a sua opinião sobre os diversos programas de Trainees?

 

[Max] São ótimos, desde que a empresa não fique enrolando os trainées. Eu

conheço trainées que, do jeito que a coisa vai, vão acabar se aposentando

como trainées, porque já estão nessa situação há mais de 2 anos. O

importante seria que um trainée passasse por todas as áreas da empresa

durante o período de um ano e aí fosse aproveitado na área em que se deu

melhor.

 

[Helpers] O que o senhor acha do NETWORKING? Como o administra a sua rede de

relacionamentos?

 

[Max] “Ter diploma de faculdade” está deixando de ser uma exceção para ser

uma regra. Com isso, o diferencial acadêmico fica bastante restrito. Aí, o

que desempata o jogo é o networking. Mas a maioria das pessoas não entende

bem como funciona um networking, porque elas são apresentadas a alguém

influente e um minuto depois já estão pedindo ajuda. O networking, mesmo, é

uma teia de relacionamentos que vai sendo tecida com muita paciência e nunca

para fins imediatos. Como uma árvore, ele só vai dar frutos depois de

consolidado.

 

[Helpers] No atual mercado de trabalho, o que esta sendo mais valorizado o

Saber ou a Experiência?

 

[Max] A experiência, mas não aquela medida por anos de trabalho, mas aquela

que vem do conhecimento prático. Uma pessoa com 25 anos pode, nesse caso,

ser mais “experiente” que uma de 40. O importante é não perder nenhuma

oportunidade de aprender, ou mudar de área, ou mudar de empresa.

 

[Helpers] A Internet é uma grande oportunidade para quem quer se atualizar,

pela quantidade de informações disponíveis para todos, o senhor não acha que

as pessoas podem acabar ficando frustradas por possuírem capacitação, mas o

mercado não possuir vagas a altura de sua qualificação?

 

[Max] Sem dúvida. Nunca houve tanta gente tão bem preparada como neste

momento, só que não há vagas para todas elas. Assim, as empresas podem se

dar ao luxo de contratar alguém supercapacitado para executar uma tarefa que

não exigiria, por exemplo, o conhecimento de idiomas. Mas, já que há mais

oferta que procura, as empresas estão fazendo o óbvio: uma colheita

qualitativa de talentos.

 

[Helpers] O seu Ócio é precioso? O senhor concorda com as idéias propostas

pelo Sociólogo Domenico de Mais? Na sua opinião o Ócio Criativo seria uma

tendência para o futuro?

 

[Max] Não creio. Há 30 anos já se dizia que os computadores iriam substituir

o esforço humano e gerar mais tempo livre. A primeira parte realmente

aconteceu: as contabilidades, por exemplo, que eram feitas manualmente,

foram mecanizadas. E o mesmo aconteceu com centenas de outras tarefas e

funções. Mas ninguém está trabalhando menos do que se trabalhava há 30 anos.

Até pelo contrário. O que quer dizer que nós geramos tempo livre e

imediatamente o preenchemos com mais trabalho. Nós não sabemos ser ociosos,

porque confundimos ócio com perda de tempo.

 

[Helpers] Agora falando um pouco do seu novo livro chamado “Não Aborde seu

chefe no banheiro!” Por que este titulo?

 

[Max] É o título de uma das crônicas que estão nele (integralmente, “Não

Aborde Seu Chefe no banheiro e Outras Mancadas que Podem lhe Custar a

Carreira”). O livro fala do cotidiano das empresas, mostrando o lado bem

humorado das pequenas tragédias corporativas. [Helpers] Em sua crônica

intitulada “Heróis sem nome”, o senhor denomina a aquele funcionário quieto

e pacato como “Genival”. Na época em que estamos, ainda há espaço para

“genivais”? Por que?

 

[Max] Toda empresa tem vários genivais. São os funcionários calados,

eficientes e sem muita ambição imediata, mas que sabem tudo sobre o seu

trabalho e normalmente resolvem problemas que os mais graduados não

conseguem resolver. Sem genivais, os heróis anônimos, nenhuma empresa

sobrevive.

 

[Helpers] Na crônica “Talento não tem idade” o senhor cita o

Rubinho como sendo um talento desperdiçado. Há algumas semanas atrás fomos

obrigados a engolir um segundo lugar forjado pela alta cúpula da Ferrari. Na

vida corporativa o senhor já passou por algo parecido, onde uma de suas

idéias foi usada pela empresa, mas os méritos tiveram de ser cedidos para

uma outra pessoa?

 

[Max] O Rubinho trocou a glória de longo prazo pelo salário de curto prazo

que a Ferrari lhe paga. É uma opção, já que ele ganha muito bem. Na tal

corrida, ele não foi prejudicado pela Ferrari, apenas cumpriu ordens que

beneficiavam seu colega com mais prestígio, o Schumacher. Nas empresas, isso

acontece várias vezes por dia. Mas a culpa não é da empresa, é de quem se

sujeita a esse tipo de situação.

 

 [Helpers] Onde o senhor busca tanta

inspiração para escrever seus textos?

 

[Max] Lendo revistas, jornais, Internet, ou conversando com colegas, ou me

lembrando de situações que eu mesmo vivi em minha carreira. Acho que as

histórias que escrevo atingem tantas pessoas porque são histórias que

poderiam ser vividas (ou estão sendo vividas) por muitas delas, naquele

exato momento. [Helpers] Para finalizar nosso bate papo, gostaria de

agradecer em nome de todos os membros do Helpers pela oportunidade e só mais

uma pergunta. Qual a dica que o senhor daria para os jovens universitários

ou recém – formados que estão buscando uma colocação no mercado de trabalho?

 

[Max] Melhor que ter um currículo maravilhoso, é ir montando a tal rede de

relacionamentos. O networking começa no Primeiro Grau, porque alguns

daqueles nossos antigos coleguinhas vão acabar sendo diretores de empresa,

ou empresários. Mas a primeira coisa que a gente faz quando termina uma

escola é perder o contato com os colegas.