Dos livros:
Humano, Demasiado Humano
AntiCristo
Crepúsculo dos Ídolos
Gaia Ciência
Genealogia da Moral
- A fé não move montanhas. Na verdade coloca montanhas onde não há nenhuma.
- Cristo morreu pela sua própria culpa e não pela culpa dos outros.
- A ânsia de igualdade pode se expressar tanto pelo desejo de rebaixar os outros até seu próprio nível (diminuindo, segregando, derrubando) como pelo desejo de subir juntamente com os outros (reconhecendo, ajudando, alegrando-se com seu êxito)
- O amor é o estado em que os homens vêem as coisas como elas não são.
- É traço de uma cultura grosseira fazer calar alguém tornando visível a brutalidade, suscitando o medo.
- Convicções são inimigos da verdade mais perigosos que as mentiras.
- Criticamos mais duramente um pensamento quando ele oferece uma proposição que nos é desagradável; no entanto seria mais razoável quando sua proposição nos é agradável.
- É a partilha da alegria e não do sofrimento, o que faz o amigo.
- Se não tivesse a compensação da gratidão, o poderoso teria se mostrado sem poder e depois seria visto como tal.
- Chamar alguém de divino significa dizer: aqui não precisamos competir. E além disso: tudo o que está completo e consumado é admirado, tudo o que está vindo a ser é subestimado.
- Havendo a escolha deve-se preferir um grande sacrifício a um pequeno: pois compensamos o grande sacrifício com a auto-admiração, o que não é possível no caso do pequeno.
- Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em que ele continue vivo.
- A coisa obscura e inexplicada é vista como mais importante do que a clara e explicada.
- Existem almas servis que levam a tal ponto o reconhecimento por benéficos, que estrangulam a si mesmos com o laço da gratidão.
- Homens grosseiros que se sentem ofendidos costumam ver o grau de ofensa como o mais alto possível, e relatam a sua causa em termos bastante exagerado, apenas para poder se regalar no sentimento de ódio e vingança.
- Não se ataca apenas para fazer mal a alguém, para derrotá-lo, mas talvez simplesmente para tomar consciência da própria força.
- O poder da imprensa consiste em que todo indivíduo que para ela trabalha sente-se muito pouco comprometido e vinculado. Em geral ele diz sua opinião, mas ocasionalmente não a diz, para ser útil a seu partido, à política de seu país ou a si mesmo.
- Em todo partido há alguém que ao enunciar com demasiada fé os princípios do partido, estimula os demais à apostasia.
- A boa índole, a amabilidade, a cortesia do coração (vindos do impulso altruísta) contribuíram mais para a cultura do que a compaixão, misericórdia e sacrifício (vindas do mesmo impulso)
- Ouvimos apenas as questões para as quais somos capazes de encontrar resposta.
- A – Como? Você não quer imitadores?
B – Não quero que façam conforme o meu exemplo; quero que cada um faça seu próprio exemplo, como eu.
A – Ah, é assim – ?
- O que em geral se consegue com o castigo, em homens e animais, é o acréscimo do medo, a intensificação da prudência, o controle dos desejos; assim o castigo doma o homem, mas não o torna melhor.
- Freqüentemente os homens se relacionam com seus príncipes como fazem com seu deus, o príncipe tendo sido muitas vezes o representante do deus, seu sumo sacerdote, pelo menos.
- É fácil dar a receita para o que a massa denomina grande homem. Em qualquer circunstância, arranjem-lhe algo que lhe seja agradável, ou lhe ponham na cabeça que isto ou aquilo seria muito agradável e lhe dêem tal coisa.
- Em todas as instituições em que não sopra o ar cortante da crítica pública, uma inocente corrupção brota como um fungo (por exemplo, nas associações eruditas e senados)
- Diga-se de passagem que o problema dos judeus existe apenas no interior dos Estados nacionais, na medida em que neles a sua energia e superior inteligência, o seu capital de espírito e de vontade, acumulado de geração em geração em prolongada a escola de sofrimento, devem preponderar numa escala que desperta inveja e ódio, de modo que em quase todas as nações de hoje – e tanto mais quanto mais nacionalista é a pose que adotam – aumenta a grosseria literária de conduzir os judeus ao matadouro, como bodes expiatórios de todos os males públicos e particulares.
- Quando a questão não for mais conservar as nações, mas criar uma raça européia que seja a mais vigorosa possível, o judeu será um ingrediente tão útil e desejável quanto qualquer outro vestígio nacional.
- Muitos são obstinados em relação ao caminho tomado, poucos em relação à meta.
- O aborrecimento é uma doença física que não é suprimida pelo fato de seu motivo ser eliminado.
- Gostamos muito de estar em plena natureza, porque ela não tem opinião alguma sobre nós.
- Ninguém morre de verdades mortais atualmente: há antídotos demais.
- Quem pensa mais profundamente sabe que está sempre errado, não importa como proceda e julgue.
- O erro fez dos animais homens; a verdade seria capaz de tornar a fazer do homem um animal?
- A necessidade férrea é uma coisa acerca da qual os homens aprendem, no curso da história, que não é férrea nem necessária.
- Quem pensa muito e pensa objetivamente, esquece com facilidade as próprias vivências, mas não os pensamentos por elas suscitados.
- Pertencemos a uma época cuja civilização corre o perigo de ser destruída pelos meios da civilização.
- A fantasia do medo é aquele perverso simiesco duende que pula sobre as costas do homem quando ele carrega justamente o fardo mais pesado.
Máximas de Nietzsche
- É para com o seu Deus que as pessoas são mais desonestas: ele não tem o direito de pecar.
- Se se tiver caráter tem-se também uma vivência típica e própria que sempre se repete.
- Uma alma que se sabe amada, mas que por sua vez não ama, denuncia o seu fundo: vem a superfície o que nela há de mais baixo.
- Maturidade do homem: significa ter-se reencontrado a seriedade que se tinha nas brincadeiras de infância.
- Quem em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez a si próprio.
- As grandes épocas de nossa vida são aquelas em que adquirimos a coragem de considerar como o nosso melhor aquilo que em nós há de mau.
- Em última análise, amam-se os nossos desejos e não o objeto de nossos desejos.
- Falar muito de si mesmo pode ser também um meio de se esconder.
- Há uma exuberância na bondade que parece ser maldade.
- Ele desagrada-me. Por que? “Não estou a sua altura” – alguma vez um homem respondeu assim?
- As familiaridades de um homem superior irritam por não poderem ser retribuídas.
- Não se odeia quando pouco se preza, odeia-se só o que está à nossa altura ou é superior a nós.
- A objeção, o desvio, a desconfiança alegre, a vontade de troçar são sinais de saúde: tudo o que é absoluto pertence à patologia.
- É o abdômen que impede o homem de se considerar facilmente um Deus.
- Quem luta com monstros deve velar porque, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito temp0o, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.
- A loucura é rara nos indivíduos – mas é a regra nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas.
