Psicoterapia de casais

  José Carlos Vilhena – Psicólogo

Minha experiência atendendo casais em consultório, percebo o quanto as pessoas estão carentes e com baixa auto estima, e projetam seus ideais de amor no parceiro(a).Idealizando que o outro irá suprir toda sua carência e falta de amor.A paixão do romance é sempre dirigida às nossas projeções, às nossas expectativas e fantasias internas de nossos pais.

Na verdade eu não vejo a outra pessoa como realmente é e sim meu conteúdo interno, minha fantasia de ideal de mulher projetado nela.

Não é amor que se senti por uma pessoa, mas o que sentimos por nós mesmos.

Nosso maior erro é acreditar que o parceiro irá suprir nossa falta de amor interna.

Com o tempo a paixão vai diminuindo, e ai inicia um novo período no relacionamento, e a pessoa é vista como realmente ela é, e ocorre uma imensa decepção.

Na fase de decepção do relacionamento amoroso, em que a idealização do outro cai por terra, mas os parceiros ainda têm esperança de restaurar os sonhos do casamento perfeito, encontramos nos casais, de forma mais explícita, a projeção de conteúdos de complexos dirigidos aos parceiros.

Mas o medo de ser abandonado e perder o amor do outro ajuda a continuar a relação, muitos casais ainda imaturos que não querem abdicar de suas fantasias infantis.

A relação simbiótica onde os membros fazem tudo junto, perdendo a individualidade, e geralmente ocorrem conflitos, brigas e depressão, quando um deseja romper a simbiose.

Psicologicamente falando, ao tentar buscar a si mesmo no outro, a pessoa está em busca de si mesmo, portanto fazendo sua individuação.

Acredito que à medida que um relacionamento se baseia em projeções, o componente do amor humano está ausente.

Estar apaixonado por alguém que não se conhece como indivíduo e sentir-se atraído porque esse alguém reflete a imagem do deus ou da deusa que está na alma, significa, num certo sentido, estar apaixonado por si mesmo, não pelo outro.

Apesar da aparente beleza das fantasias de amor que poderemos ter nesse estado de estarmos apaixonados, poderemos, de fato, estar num estado mental totalmente egoísta.

Somente existe o verdadeiro amor quando uma pessoa passa a reconhecer o outro por aquilo que ele realmente é como ser humano, e começa por gostar dele e a se importar com ele como tal.

Ser capaz de um verdadeiro amor significa amadurecer, ter atitudes realísticas para com o outro.

Significa aceitar a responsabilidade pela nossa própria felicidade ou infelicidade; e não esperar que o outro nos faça feliz, nem culpa-lo por nosso mau humor ou por nossas frustrações.