No começo lia Bukowski porque o texto é cru, direto, sem firulas e engraçado. Hoje entendo que é mais que isso.
Gosto do modo como o Bukowski via o mundo. É muito parecido com as palavras que um dia foram escritas em minha lápide. A indiferença dele quanto às regras de bom comportamento que a sociedade impõe. Sua desencanação em relação às mulheres (ele sabia que se uma o largasse, não demoraria a aparecer outra). O modo como ele levava a vida, bebendo, queimando nos sóis situações surreais, sem se importar com o amanhã. Fora isso, principalmente, a impressão que ele tinha a respeito da maioria dos seres humanos: um bando de gente medíocre, babaca e mesquinha, que dá valor a coisinhas sem a mínima importância e que tem medo de viver num mundo desregrado.
E, pra quem acha que ele vivia rodeado de mulheres feias, isso não existe.
Há mulheres gordas, mulheres sem bunda, coroas, alcoólatras, mancas e etc, que valem muito mais a pena do que patricinhas de merda que dividem o dia entre a academia e o salão de beleza e não bebe com medo de ter barriga e celulite.
Mulher de verdade não precisa disso. Tem que ter charme, olhar sensual e ser autêntica. Quem recusa uma boa trepada só porque a mina não tá nos padrões de beleza das capas de revista é bicha. E Chinaski sabia disso.
CCSS 08-2006
