Casal Eterno- Esqueletos de 5 mil anos

Que parem os relógios

cale o telefone.

Jogue-se ao cão

um osso e que

não ladre mais,

que emudeça o piano e

que o tambor sancione

a vinda do caixão com

seu cortejo atrás.

 

Que os aviões, gemendo

acima e em alvoroço,

escrevam contra o céu

o anúncio: ele morreu

Que as pombas guardem

luto – um laço

no pescoço.

E os guardas usem finas

luvas cor-de-breu.

 

Era meu Norte, Sul

meu Leste, Oeste,

enquanto viveu,

meus dias úteis, meu

fim-de-semana

meu meio-dia,

meia-noite, fala e canto:

quem julgue o amor

eterno, como eu fiz,

se engana.

 

É hora de apagar

estrelas – são molestas,

guardar a lua,

desmontar o sol

brilhante,

de despejar o mar,

jogar fora as florestas,

pois nada mais há de dar

certo doravante.

 

W.H. Auden