Feche você meus olhos
O incerto povoa minha sutil alegria,
Um perdido de ninguém,
Desaba num chão sem sentido,
Perigo de guardar um segredo só para mim?
Enfim por tempos esquecido
E digo: ninguém viva algo tão intensamente novamente para ser finito.
Perceber não a certeza, a razão.
Então, o detalhe de você:
Saber que é aquele rabisco sem cores
De amores a acabar com a intenção.
Não insista! O sofrimento não vale a pena.
Tão longe quanto o possível
Não me despedirei,
Tão perto quanto resisto
A fuga não vai existir, não insista!
Não passou, não pára, um suspiro, um sino, um sol, um sopro?
Nunca foram verdades soltas no ar,
O mundo mudou,
A janela que ainda naquela tarde passageira,
Não mais me observava.
Ao longe o vento, tímido, pensava:
Mas o que posso fazer?
Surgia, a mente sumia e a fantasia…
(Nossa! Quanto sentimento!)
Virgem, lábios, papel, olhos, seu corpo, seu jeito.
(Faria tudo pelo pouco.)
Sem chance. Nada. Nunca. Sentença de palavras.
Ainda que se só restasse saudade
Alimento de minha ilusão,
Ainda que faminto, mentiria.
Sentir o que os outros não sentem,
Ouvir o mais breve dos silêncios,
Fuga de meu ser,
Caído, baleado pela chuva de seus olhos, não agüenta.
Aumenta lágrimas…
Consome como tudo que há.
Páginas do fim
Má, ruim, sem volta,
Revolta de sentidos
Basta.
Quero uma chance para perceber o tudo,
Para dizer com todas as forças, com todas as culpas…
O segundo passou, o tempo se foi…
O mundo sumiu
Ela se foi.
CCSS 2002 (Série 1)
