***Meus tricotes… Poesia nº 0375…
“VOU REFÉM…
Tenho saudade dos dias que te sentia e você existia ao meu lado,
Dos dias que ainda sorrias a minha falta,
Das partes escolhidas de mim que te dei,
Dos medos sozinho que nesta tarde de lágrimas repousei…
Era você serena, alma pequena, lábios de carmim
Era então sereia, coisa extrema, que estendia dentro de mim…
Era o sol da tarde, as asas da leve borboleta, ruflando os jasmins
Era o calor que arde, aquela paisagem amarelada ao longe, incendiando os jardins
Era a noite e meu sono, o dia que se esconde, levando o ontem para o fim
Então o que seria senão refém dessas palavras que me entristecem?
Por que seria razão além dos desvalidos com cheiro de rua enluarada?
Dos dias chuvosos que permeiam todos meus fins, roteiro da minha estrada?
Era eu menino, roupa rasgada e jeans, com a alma ali parada
Com desejo de ventos soprando para as manhãs de quarta-feira
Era toda besteira que um dia prometia minha boca
Eram meus amores, pequenas passagens, insensata brincadeira
Era eu sorrindo, pro dia lindo, a manhã remaquiando suas olheiras
Abri os olhos, vivi, e senti minha respiração menos profunda
Fechei os sonhos, sai, e corri para a varanda para ver a revoada passar
Era um bêbado em cima de um poste de luz, cantando que ainda não morri
Eram meus dias voando, cores brilhando, me revelando para ti
Eram os perfumes do amanhecer a me fazer sentir
Calar o amor que me envolve a ti,
Alguém que nem ao certo jamais descobri
Esse rosto e meus sinais, laço, o traço que faz rir
Minhas palavras pedindo que me ame de alguma forma, eu a me trair
Que se solte sua mulher, de seu espaço, de teus medos ligeiros e segure em mim,
Que minha mão forte te protege, que meu beijo de homem te leve, e sibile o sim.
É o meu “nome” batendo na entrada do teu coração
Arrepio-me. Sei o que acontece. Sei o que senti, sinto, e vais além…
É o meu corpo correndo em disparada em sua direção
Largo-me. Não saberei o que acontece. Fugirei do que será, minto, e vou refém…”
Cristian Stassun (24/07/2007)
